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O presidente Jair Bolsonaro. Foto: AFP... Reproduzido da CartaCapital
AINDA NÃO FOI ELE! Não por agora, mas um de seus grandes aliados no seu desgoverno, veja mais adiante e o motivo da celebração por parte de um enorme segmento social brasileiro.
Não foram os casos de morte por Covid19 que caíram o suficiente para nós celebrarmos e alardearmos.
Infelizmente
não foram, pois os casos de infecções e mortes pelo Coronavírus estão
nas alturas no Brasil, políticos e governantes em sua maioria parecem
não se importar, fazem o possível para se darem bem enquanto outros
atuam o tempo todo para manter o vírus circulando e a população em
situação muito difícil, como hoje vivem os brasileiros, em parte pelos
descontroles e loucuras de membros do Governo Federal, em especial do
presidente fake Bolsonaro, mais os seus colaboradores na tropa de choque
da CPI da Covid19, ou no grupo de parlamentares do Centrão (partidos
que dão sustentação ao desgoverno), que é corresponsável pelo caos
atual. Mas ao contrário do que alguns pensam e defendem, não é só o
Bolsonaro o responsável pelos desastres na saúde e na vida das pessoas
simples e desassistidas, no Amazonas o Wilson Miranda Lima (PSC) que
também é investigado por supostos desvios durante a pandemia (enquanto
muitos morriam), no Rio de Janeiro temos outro mal exemplo com Cláudio
Castro (governador do PL que assumiu após impeachment de Wilson Witzel,
afastado por irregularidades na saúde durante a Covid19), mesmo casos
como o do Governo de Pernambuco, mostram que os políticos não se
importam com o povo, inclusive quando o Brasil apresenta alta na média
de casos da doença, entorno de 31% em relação a última semana (segundos
dados do Consórcio de Imprensa, e G1), tanto Paulo Câmara (do PSB) como seus
secretários, colaboram em certa dose para ainda mais adoentados (entre os poucos
vacinados até o dia de hoje), liberando a população de regras mais rígidas de
restrições a circulação e controle sanitário, facilitando viagens para o
interior (onde a doença apresenta grandes focos de infecções amplamente divulgados), e durante
os festejos juninos há risco redobrado, até de maior concentração de
pessoas mesmo em eventos que após "autorizados" dificilmente serão
fiscalizados. A população em várias partes do Brasil e em Pernambuco, é
submetida a uma gangorra, em dado momento autoridades liberam atividades
potencialmente arriscadas (fluxos em bares e restaurantes, eventos,
viagens, aglomerações em parques e praias, etc) na pandemia, e logo em
seguida volta a restringir, quando se constata grande aumento de casos
de infecções e que por esta razão não deveriam ter sido liberadas as
ditas atividades, até por haver em curso uma outra onda de infecções que não
recua significativamente, e também pelas muitas variantes circulando por
toda parte.
Dados sobre casos de Covid19 no Brasil e em Pernambuco
Há
poucos dias atingimos 500 mil mortos, o Brasil se mantém no topo do
ranking de desempenho negativo no combate a pandemia, com o presidente
Bolsonaro repetindo o papel deplorável na defesa de tratamentos e ações
já rejeitados pela comunidade científica, com sua postura belicista e
irresponsável ou mesmo criminosa, como já reafirmam membros da CPI, não
só a seu respeito como também de ministros de seu governo.
Ainda
há muito o que ser apurado, talvez até com provas robustas de
irregularidades do governo, como no caso da omissão e falta de oxigênio
em Manaus, a demora na aquisição de doses de vacinas necessárias a saúde
da população, ou com os recentes indícios de compra direcionada e à custos elevados, caso da vacina Covaxin, ainda com restrições de uso pela
ANVISA, vamos ver onde isso vai parar.
Manifestações pela vacina e contra Bolsonaro - Recife 19.06 (Foto José Dilson)
Atos pelo impeachment de Bolsonaro, população protesta com cuidado e distanciamento ( Av. Conde da Boa Vista Recife PE, 19.06.2021, foto José Dilson)
O
povo nas ruas cobra posições firmes e urgentes contra Bolsonaro, seu
governo, e por ofertas de vacinas, auxílio emergencial mais digno,
alimento e emprego, como nas manifestações do dia 19 de junho, inclusive
em Recife que no último dia 29 de maio, foi palco de violência e
repressão policial muito condenada.
Ricardo Salles, ministro próximo a Bolsonaro - Google Imagens
Nossa
celebração contudo, é válida e oportuna, reforça a percepção popular da
urgente e necessária saída do ministro do Meio Ambiente, Ricardo
Salles, que renunciou ao cargo, e está em meio a investigações e
processos por desvios e favorecimentos a infratores e grupos que
provocam danos sérios aos nossos biomas.
Ele caiu! Uma pressão forte e
indícios de consistentes de seus maus atos, podem ter colaborado para
tanto. Apesar dos motivos de celebração, ainda é preciso mudar a
política de governo para o setor, e já!
"Passar a boiada", assim se referia o ministro Salles, em reunião ministerial com a presença de Bolsonaro, ainda nos primeiros meses da Covid19 no Brasil, há pouco mais de 01 (hum) ano em 22.04.2020.
O ministro demonstrando pouca preocupação com nossas florestas, rios, e outros importantes elementos do nosso meio ambiente, clamava ao presidente e seus pares a desmantelar regras, leis, e ao que parece as estruturas de fiscalização e proteção ambientais, num momento que todos estavam atordoados com a pandemia. Um absurdo sem tamanho, mas que diante dos fatos e investigações de supostas irregularidades e patrocínio das causas de interesses de violadores de normas ambientais, por Salles, servidores do seu ministério e de instituições como o IBAMA, é de se supor, que estavam ou estão pondo em prática a proposta defendida na reunião ministerial, e que estamos assistindo uma rápida ampliação dos crimes ambientais, ao que parece como estratégia de governo.
Neste sentido é muito bem vinda as decisões do STF, através do ministro Alexandre de Moraes, que afastou servidores dos órgãos que teriam facilitado a venda ilegal de madeira aos EUA, e que tem relação próxima as atitudes de Salles, inclusive com possíveis estratégia e ações dele para dificultar atuação da PF e manter funcionando uma estrutura "corrupta" no ministério, algo que tem gerado avanço nos processos de destruição ambiental, ataques as comunidades indígenas no norte do país (principalmente), dentre outros problemas.
Ricardo Salles - Ministro do Meio Ambiente (Foto no Google Imagens)
Não é à toa que aumentaram os conflitos por terra, com camponeses e índios abandonados pelos governos, vítimas de jagunços, policiais violentos ou inescrupulosos, proprietários de terras (muitas das quais griladas, e adquiridas irregularmente ou pertencentes a União), assim como crimes e ataques por madeireiros e garimpeiros a serviço de grupos poderosos infiltrados no Estado, atuando contra tribos em reservas que deveriam ser protegidas, ou contra populações de ribeirinhos e camponeses pobres, resultando em destruição e mortes e grandes perdas ao meio ambiente. Urge parar esses crimes que são potencializados com a omissão de governantes, ou patrocínio de suas causas devastadoras por meio de gestos e ações nocivas ao país, como as atribuídas ao ministro Salles, ou de alguma forma ao presidente Bolsonaro em outros momentos recentes.
A situação inspira muitos cuidados e uma reação das instituições contra as omissões e crimes do governo Bolsonaro, que abrem precedentes para a ampliação de ciclos de destruição e perdas de recursos naturais. A condição em que se encontra o país e o mundo, com grave crise sanitária em curso, exige providências urgentes das autoridades judiciárias, com atitudes que busquem frear os processos de degradação em curso, e a sociedade precisa estar atenta e pronta para enfrentar os que destroem nosso meio ambiente.
Diante da grave crise provocada pelo vírus da Covid19, das omissões e ações irresponsáveis do governo Bolsonaro, bem caracterizada nos depoimentos da CPI da Covid19 (ainda em curso), e das diversas situações desastrosas protagonizadas por Bolsonaro e seus ministros como o hoje afastado Gen. Eduardo Pazuello (as voltas com inquéritos que cobram sua responsabilidade, como na crise de oxigênio em Manaus e suas diversas mortes decorrentes, ou em polêmicas e irregularidades, inclusive ferindo regulamento do Exército, pelo qual também pode responder), e que já ceifou a vida de mais de 462 mil brasileiros, e caminha para um possível 1 milhão de mortes, com uma nova onda e ação de cepas mais perigosas como a indiana, sem avançarmos significativamente e rapidamente nas vacinações. O Brasil vê horizontes ainda mais sombrios para sua população, não apenas nas questões de saúde e sanitária, mais também na economia, na política (com ameaças a democracia) e nas relações e estruturas sociais, comprometidas pela falta de renda, desemprego elevado, miséria em alta e pela inação do Estado, com o presidente agindo muito mal a todo instante.
Num cenário tão difícil e assustador, agravado por deficiências no sistema de saúde pública (o SUS), afetado pelos seguidos cortes de recursos, mas ainda assim atuando decisivamente para que os números de vitimados e mortos não fossem ainda maiores (muito maiores), em meio também a novos surtos de Dengue, Zica e assemelhados, torna-se incompreensível atitudes negacionista de Bolsonaro e seus simpatizantes ou assessores, desrespeitando todos os esforços contra a pandemia e por salvar vidas, e igualmente danosa são algumas ações de seus ministros, como Ricardo Salles do Meio Ambiente (que põem em risco aldeias indígenas) ou as de Queiroga (Ministro da Saúde) que se submete e ignora as sabotagens de Bolsonaro, e ainda levanta críticas injustas e não merecidas ao SUS e seus profissionais.
Protestos do dia 29.05 em São Paulo (Folha de S. Paulo)
As reações a este quadro dantesco, são compreensíveis e necessárias, com um presidente fora de controle e sem atuar verdadeiramente para proteger a população e conter os efeitos das crises que se sucedem, quando ocorrem situações que apontam para maiores riscos de perdas e mortes ainda mais (como pela falta do IFA, insumo para produção local de vacinas, devido a mal estar com a China, decorrentes de erros do governo Bolsonaro), são ainda mais previsíveis e intensas, e já não podem se limitar a denúncias nas mídias e redes sociais, pedidos de impeachment travados no Congresso, a CPI da Covid19 ou outra que vier, nem as manifestações do STF ou de membros de outras instituições, condenando desvairios do presidente (sem efeitos concretos que mudem o rumo atual).
Manifestação ordeira em Recife, antes da ação da PMPE (rede sociais/Facebook)
Neste contexto a sociedade é empurrada a ir as ruas, protestar contra Bolsonaro, gritar o Fora Bolsonaro, pedir por auxílio emergencial de R$ 600, mais emprego, vacinas no braço e comida no prato. O povo corretamente luta pelo seu direito a vida e a sua dignidade, ameaçados não só pelo vírus e as crises que provoca, mas principalmente por governantes mal intencionados, irresponsáveis ou omissos. É lutar pelo direito a não ficar em casa esperando morrer vítima do vírus, devido ao governo ter lavado as mãos e quase forçar uma situação limite, onde o cidadão tenha que sofrer ou morrer por lutar para não ficar entregue a própria sorte e expostos as muitas e muitas variantes da Covid19, suas infecções e trágicas consequências, que afetam milhões de brasileiros, que não tem a felicidade de ter um líder que cumpra o seu papel e cuide de seu povo.
Ato no Recife foi reprimido pela Polícia Militar de Pernambuco - AgênciaJCMazella (Brasil de Fato)
Assim e em meio a pandemia, alguns de forma organizada e buscando manter distanciamento e dificultar infecções com outras medidas sanitárias, foram as ruas neste dia 29.05, num grito nacional por vida e dignidade, e contra Bolsonaro e seu governo desastroso, que colabora para a tragédia da Covid19, como já nos era claro por meio das mídias e agora em declarações no Senado Federal nas audiências da CPI. Em muitas cidades Brasil à fora, multidões se manifestaram, na tentativa de pressionar instituições a evitar um futuro ainda mais trágico em breve.
Em meio a onda de protestos do dia 29.05, a capital pernambucana assistiu cenas antagônicas, algumas de beleza e respeito, e outras de tristeza associada a fatos violentos e vergonhosos. As primeiras cenas foram protagonizadas por pessoas ordeiras e preocupadas com a vida e o bem estar de todos, caminhando em filas indianas e com máscaras, distribuindo álcool gel e gritando por dignidade, na forma de um auxílio justo, por comida para todos e vacinas para salvar vidas, mas reclamando corretamente dos abusos de Bolsonaro.
Já as cenas tristes foram de responsabilidade dos comandantes da Polícia Militar de Pernambuco e parte de seus subordinados, que ao final do ato pacífico (quase lá), investiram contra inocentes com pesado armamento, balas de borracha e gás, spray de pimenta e muita violência contra as pessoas que faziam um protesto organizado e pacífico, resultando em feridos, alguns, pessoas que apenas passavam pelo local e que atingidos nos olhos, perderam a visão. A barbárie pelos policiais organizados e prontos para assim agirem, foi tanta, que mesmo a vereadora Liana Cirne, também advogada, chamada ao local para tentar evitar a ação violenta da PMPE, acabou sendo também vítima em ato de violência gratuita de policiais, cuja as imagens se espalharam para além do Brasil.
O Governador Paulo Câmara, responsável também pela PMPE e seus atos, diz que não ordenou tal ação violenta, e abriu investigação afastando os comandantes e policiais envolvidos na agressão a vereadora do PT. Fica com tudo a impressão que a polícia pernambucana tornou-se um braço do bolsonarismo, que insubordinou-se contra o governador e atuou contra o povo para reprimir justas manifestações, por estar alinhada as bandeiras tidas por fascistas e à cargo do presidente, impressão reforçada pela forma como a PMPE atuou em outros momentos em que admiradores de Bolsonaro chegaram a manifestar atos contra a democracia, e ilegais, pedindo fechamento do STF (por exemplo) e gozando da "simpatia" dos policiais presentes em suas manifestações. O fato configura mais que o desvio de um ou outro policial, mas numa forma organizada e estratégica de intimidar adversários de Bolsonaro, e um flagrante atentado ao Estado de Direito, ao comprometer a democracia, e o direito a livre expressão em um movimento ordeiro e pacífico.
Com este episódio lamentável, acendem-se os sinais de ameaças a nossa Constituição e a nossa democracia!
Esperamos que o ocorrido sirva de motivação as instituições, que venham a coibir novas violências sejam por desvios de agentes do Estado, ou por grupos e instituições deliberadamente voltadas a atuarem à margem das leis, sem respeito aos cidadão e aos seus direitos, bem como necessidades justas de fazer valer os mesmos.
O episódio envolvendo a agressão contra Liana Cirne, advogada e professora de direito da UFPE, Vereadora do Recife pelo PT, é estarrecedor, uma mulher que ciente de suas responsabilidades, inclusive como legisladora no município, atende ao pedido de grupos dos movimentos sociais e vai ao local para tentar parar as agressões policiais, e recebe de forma covarde um ataque de um destes enquanto se aproxima da viatura, é repugnante e uma enorme demonstração de covardia e falta de profissionalismo de membros da PMPE, que são pagos com dinheiro público para proteger a população e o cidadão, e não serem os carrascos destes.
Igualmente lamentável, é ver jornalistas ou blogueiros pagos, se comportando como grande bajuladores, e buscando denegrir Liana e seu gesto, minimizando a violência policial, a pretexto de afirmações que a vereadora tentou dar uma carteirada nos policiais. Se carteirada é o ato de uma vereadora e advogada, usar de seu compromisso e cargo público, para proteger vítimas inocentes de abusos e violências policiais, durante uma manifestação pacífica e onde não havia ameaças, ela agiu como deveria se esperar de um ocupante de um cargo público, e antes existissem mais autoridades e políticos, dispostos a agir e fazer valer as leis em prol do bem do povo e de sociedades mais justas, ainda mais quando é um representante do Estado a ameaça a vencer. A solidariedade e a repercussão entre muitos comprometidos com o bem coletivo, mostram a importância e correção de atos como os de Liana Cirne, diante da vergonhosa atuação da Polícia Militar.