terça-feira, 7 de maio de 2013

Conferindo denúncia


Dia 20.04 nós fomos conferir o resultado da agressão feita pela turma do DUDU (Eduardo) e do Geraldo Julio a uma área de preservação em Paulista.

Esta ação irresponsável foi denunciada a imprensa (e recebeu apenas uma nota de rodapé de um dos informativos do JC, sem mencionar as responsabilidades dos políticos do PSB), mas apesar de formulada denuncia a CPRH desde 17.01.2013 e ao Ministério Público através da denúncia 13.026 de 22.03.2013, nada parece ter sido feito para combater tais atos.

Até o presente é visível e notório os danos causados, até por incentivar queimadas e depósito de lixo hospitalar irregularmente colocado em via pública e as margens da mata.

Eis como estava o local, depois que se passaram mais de 30 dias!

No entanto as providências são inexistentes até o momento, e as autoridades fecham os olhos aos desmandos e as ações de políticos e seus assessores ou colaboradores.  Se não envolve-se o partido do Governador, este ou o Prefeito do Recife, seria tão lentas as ações ou mesmo inexistentes?







segunda-feira, 18 de março de 2013

Triste constatação!


Reproduzimos na integra correspondência divulgada:



Paulista 18.03.2013

Triste constatação!

            Meu nome é José Dilson Cavalcanti de Melo, sou graduado em Geografia – Licenciatura pela UFPE, e a cerca de 04 (quatro) meses desenvolvo uma pesquisa na área de Jaguarana em Paulista PE, relacionada à temas sobre a Geografia do bairro, da Reserva Ecológica Estadual da Mata de Jaguarana (criada em 13.01.1987, mas ainda pouco protegida e estudada) e seus arredores.
            Nesta pesquisa que até o presente momento é conduzida com recursos próprios, com certa dificuldade, mas com rigor e dedicação necessária, já realizamos até o momento 18 (dezoito) visitas à campo, para realizar levantamento de dados, documentação fotográfica dentre outras ações, inclusive interações com moradores locais, e colhemos diversas informações úteis e consistentes sobre os processos que são afetos as Ciências Sociais e  Ciências Humanas em especial, mas não exclusivamente, uma vez que há forte interação com outras áreas como as ligadas a alguns campos das Ciências Biológicas, mas de fato há uma ênfase em aspectos da Geografia Física e Geografia Humana.
            A partir das visitas e dos dados colhidos na região (só de fotos há mais de 1.200), conseguimos elaborar uma boa base de conhecimento sobre esta, da qual neste momento destacamos situações problemáticas e no mínimo tristes, e que precisam de atenção da sociedade e das autoridades, se estas se disporem de fato a atuar em prol de uma área com elevado potencial, tanto ecológico, quanto cultural e histórico (que será apresentado brevemente em um artigo em fase de conclusão e na pesquisa ainda em curso), sem excluir as possibilidades de desenvolvimento de ações ligadas ao turismo, etc.
            O fato é que em Jaguarana, numa área de entorno e em trechos de mata em recuperação, há um série de agressões intensas e destrutivas, que prejudicam o processo de recomposição da vegetação, trazem danos aos solos  e ao relevo e ainda ameaçam espécimes da fauna local.  Tais agressões são diversas e relacionadas as atividades humanas, mas há algumas que se destacam negativamente mesmo não sendo novas e ainda como reflexo de um passado não muito distante, de quando há algumas décadas funcionava nas proximidades o lixão de Jaguarana (desativado e transformado em aterro). Neste momento é nosso propósito chamarmos a atenção para intensa degradação as formações do relevo às margens da mata, através de retirada de material (barro) com impacto em toda área inclusive na vegetação (derrubada de exemplares, e criação de área instáveis com queda de barreiras), mas principalmente para outra ação destrutiva também rápida, degradante e intensa, que se desenvolve no local: a deposição de resíduos industriais (caixas de papelão, plásticos e couros sintéticos em quantidade, materiais de informática e impressão, etc.), de sobras de demolição, materiais orgânicos (lixo doméstico) e o mais grave, descarte de lixo hospitalar, com caixas, materiais de campanha política, descartáveis plásticos e outros materiais hospitalares (que não podemos precisar se são infectados).
            Os locais tomam por providência atear fogo que atinge a vegetação, enquanto órgãos públicos municipais e estaduais não tomam nenhuma, o problema é visível e apesar de não ser nova a situação, retomou-se um processo de forma mais intensa e degradante.
            Nós em janeiro enviamos fotos e denúncia a CPRH, que até o presente momento apesar de nos fornecer protocolo não tomou atitudes concretas para impedir possíveis crimes ambientais, na ocasião enviamos fotos sobre material hospitalar depositado (inclusive com nome do fornecedor, hospital beneficiado, lote, etc.), e parece que não foi suficiente para estimular providências. 
            A nossa constatação triste, é que como citamos, os órgãos públicos e autoridades não demonstram interesse pela proteção do meio ambiente não só em Paulista, e ao contrário do discurso que alguns políticos usam em campanha, estes até contribuem para uma degradação ainda maior, um bom exemplo é que flagramos um veículo da UPE descarregando lixo no local num dado momento, noutro um outro veículo da PMO parado próximo a lixo recém depositado, e o mais grave, várias dezenas de banner's de pvc e outros materiais de campanha do atual prefeito de Recife Geraldo Julio, com sua foto e  a do governador Eduardo Campos, num total desrespeito à população de Paulista e ao meio ambiente nos arredores da mata de Jaguarana, mais precisamente em plena via pública, na Rua Praia e Campo na altura da PE-22 Km 04, no acesso que vai à Porto Arthur.  Este é o exemplo que dão estes políticos, governantes, seus correligionários e assessores, sujar a cidade e degradar o meio ambiente, enquanto os órgãos sobre seu comando não funcionam adequadamente.   Para proteger e cuidar dos interesses do povo não há iniciativas, mas para “aparecer bem na foto” muitos não medem esforços, com discursos que contrastam com a realidade das ações, então senhores apareçam nas fotos que estão exposta aqui e não venham dizer que foi acidental ou involuntário, todos são responsáveis pelos atos dos que atuam consigo ou a seu serviço, o que há é descaso e pouca coerência, infelizmente.

Constatem todos,  isto é o que encontramos em 17.03.2013 sobre os políticos:

Rua Praia e Campo - Jaguarana Paulista - Fotos José Dilson 



E a seguir o que denunciamos a CPRH protocolada sob o número  20134272 em 17.01.2013, sobre lixo de hospital público depositado irregularmente em via pública:

Rua Praia e Campo - Jaguarana Paulista - Fotos José Dilson



quinta-feira, 7 de março de 2013

Os compromissos da mídia brasileira

Estamos há algum tempo atentos as campanhas e intervenções tendenciosas patrocinadas por grandes grupos midiáticos nacionais.

É freqüente a ação danosa promovida no sentido de influenciar uma parcela significativa da população brasileira, a partir de manchetes ou reportagens sensacionalistas, tendenciosas ou com insinuações não fundamentadas, ou em alguns casos claramente desprovida da verdade (vencidas e publicamente desmentidas pelos fatos).

Não é algo irresponsável ou acidental, não é isolado nem sem pretensões outras que nem sempre são claramente perceptíveis aos desapercebidos.

Não vamos pegar por exemplo a divulgação de especulações da mídia internacional, reproduzidas pelas mídias locais, sobre a renúncia do Papa Bento XVI, não é algo desprezível mas não tem a mesma ação ideológica que as citadas a seguir.

Vamos pegar dois episódios recentes:

O primeiro deles trata dos fatos recentes relacionados ao Ministro Joaquim Barbosa.

Joaquim Barbosa chama repórter de palhaço e diz para ele "chafurdar no lixo" - Zero Hora 05.03.2013



Terra Brasil
O Ministro do STF, Joaquim Barbosa, explodiu recentemente com uma atitude merecedora de uma forte reação, não por agredir verbalmente um repórter e dificultar o trabalho deste, o que em si já é grave, mas por dar uma demonstração séria de falta de compostura adequada e serenidade necessária ao desempenho do cargo que ocupa.  Nós não falamos apenas desta situação recente, o que demonstra que os fatos não são pontuais nem isolados, pois há alguns anos ele protagonizou bate-bocas em cadeia nacional e fez sérias acusações contra outro "iluminado", o então presidente do STF, Ministro Gilmar Mendes.

Não soube de qualquer ação concreta de um ou de outro diante de fatos e acusações tão graves, como as que o atual presidente do STF fez ao Ministro Gilmar Mendes, quando o acusou este de ter "capangas no Mato Grosso".

Joaquim Barbosa acusa Gilmar Mendes de 'destruir a credibilidade da Justiça - O Globo/Noblat 22.04.2009

Na época a imprensa repercutiu o episódio, mas em muitos momentos tentando blindar Gilmar Mendes e traçar um perfil do Ministro Joaquim Barbosa como o de um homem destemperado, de alguma forma minimizando as afirmações deste sobre o colega ministro. Não vimos contudo os costumeiros comentários maliciosos comumente feitos contra outras figuras ilustres, ou cobrança de instalações de investigações, esclarecimentos e ou qualquer outra medida de caráter público, a exemplo do que fazem com o ex-presidente Lula.

É menos grave e não merece críticas e uma ação da mídia quichotesca o que ocorre com os ministros do STF?  Na verdade não mas ocorre que uma parcela da mídia manteve uma blindagem de membros do STF, a exemplo do Ministro Gilmar Mendes, dada a proximidade dos pensamentos e conceitos políticos deste, com os políticos do DEM, PSDB e alinhados, portanto simpáticos as grandes mídias.

Em decisão sobre Arruda, Marco Aurélio alfineta Gilmar Mendes por caso Sean - UOL 12.02.2010

gilmar mendes demóstenes
Gilmar Mendes pode ter pego carona com Demóstenes
 em jatinho de Cachoeira - Pragmatismo Político

Novas escutas da PF apontam amizade entre Gilmar Mendes, Demóstenes e Cachoeira - Pragmatismo Político 29.05.2012

Os mandatários destas instituições midiáticas enxergam em membros do STF, o preconceito e o alinhamento    adequado aos seus, e que estes podem no exercício dos seus cargos atropelar as outras instituições republicanas (congresso e executivo), travando os projetos diferentes dos que tem uma grande parcela da elite brasileira, hoje minimizadas pelo voto popular.

Eis mais uma razão para silenciarem, ou não darem o adequado tratamento diante de atos de violação da Constituição  praticados no STF, e que tem sido questionados por juristas renomados.

Barbosa quer reconhecimento social, acusam advogados - Consultor Jurídico 16.08.2012

Especialistas questionam aplicação de teoria alemã no julgamento do mensalão - Zero Hora 23.12.2012

Juristas acham declarações de Barbosa açodadas e vulgares - Viomundo 03.03.2013

Não faz muito tempo, parte da imprensa tentou vender uma imagem pública do Ministro Joaquim Barbosa, na qual não contemplava as imposturas, e que alimentava alguns da mídia uma construção de um projeto político para o ministro do STF na direção de uma candidatura a presidência.

Infelizmente o episódio será apenas mais um, já que não há intenção da grande mídia de cobrar uma adequada ação junto ao STF, sobre imposturas e violações (creio que ao ofender a dignidade de uma pessoa, comete-se no mínimo violações de direitos, ainda mais ao se prevalece do cargo para tanto), ao comparar o repórter a um porco (chafurdar, também se entende por fuçar) e além disto agir de forma preconceituosa com catadores e outros que sobrevivem da coleta em lixões.

O segundo episódio tendencioso e de cobertura maliciosa de parte da imprensa, refere-se a Venezuela e a morte de Hugo Chaves.

Ao longo de algumas semanas parte da imprensa nacional com opção política definida, de alinhamento com os neo-liberais e afins, ecoou toda sorte de boatos sobre o paradeiro de Chaves, alimentando desconfianças sobre as afirmações do governo venezuelano de que o presidente estava num hospital militar.

Chávez estaria em casa, diz jornal espanhol - Zero Hora 01.03.2013

hugo chavez
Hugo Chaves - CP /Youtube
Alimentava-se boatos de que Chaves não estava no hospital militar, e sim numa ilha do caribe venezuelano, apenas aguardando a morte com a família.  Outros de que ele já estava morto há algum tempo, etc. E tudo que era versão oficial não merecia crédito assim como agora, mas os que estão alimentando as inverdades, estes sim merecem créditos.  O que na verdade se usarmos a mente, não pode se aplicar inteiramente a um ou a outro lado da história.

As mídias não cessavam de apontar Chaves como um ditador e vender a imagem da Venezuela e seu governo, como sendo a construída pelas antigas elites venezuelanas alinhadas com americanos e governos  europeus, na qual a Venezuela vive um regime próximo aos de excessão, e Chaves é pintado como um ditador.  Tentam negar e distorcer uma realidade mostradas nas ruas pela grande maioria do povo venezuelano, a de que Chaves foi um líder que atendeu a maior parte dos anseios dos pobres e miseráveis da Venezuela, e que este distribuiu uma parcela significativa de justiça social, algo que as elites venezuelanas totalmente dependentes dos EUA, nunca fizeram e criaram um exército de 48 milhões de miseráveis (dos quais foram resgatados por Chaves, mais de 20 milhões).

Cortejo enche as ruas da capital da Venezuela em homenagem a Hugo Chávez - O Povo

Venezuela chora a morte de Hugo Chávez em cortejo pelas ruas de Caracas - O Povo 05.03

Povo venezuelano chora a morte do Presidente - RTP 05.03

As mídias alinham-se aos que sempre foram submissos aos interesses americanos e europeus, altamente prejudicados na América do Sul, por pessoas como Chaves e Lula, daí a resistência e as mentiras sucessivas, alardeadas em seus jornais.

Coluna de Ricardo Setti - Veja.Abril 05.03.2013

Chaves era um ditador (tirano, que não fará falta a Venezuela) segundo a mídia, mas eleito pelo voto, e tomava decisões de afirmação da soberania da Venezuela e de interesse dos mais pobres, as grandes multidões que aponham seu governo nas ruas são um exemplo.  Ele ainda distribuiu ajuda e assistência a nível regional, um exemplo é a Nicarágua que recebia da Venezuela algo que chega a 2,4 bilhões de dólares em alguns anos, a Argentina recebeu ajuda através da compra de títulos da dívida, num momento crucial para sua economia.

O golpe de Estado e o noticiário - Observatório da Imprensa


Em contra partida os que acusavam Chaves de ditador e outras coisas mais, promovem assassinatos de civis  no Paquistão (com drones), mantém a prisão de Guantanamo (com pessoas presas sem assistência e julgamento, inclusive violando direitos humanos), ou promovem intervenções armadas que geram tragédias (como as da Ásia), para mão falar da questão Palestina e a omissão e conivência com crimes de Israel.

Israel ataca centro de imprensa em Gaza e fere oito jornalistas - Notícias de Mato Grosso 18.11.2012

Os mesmo que rotulam Chaves, e se auto proclamam defensores da democracia, há alguns anos passados patrocinaram uma tentativa de golpe na Venezuela, com a participação americana, das elites locais e de segmentos como a imprensa venezuelana.

Vender uma imagem falsa de Chaves, ajuda os propósitos de associar esta imagem ruim aos governantes de outras nações sul-americanas que não são simpáticos aos projetos defendidos por grande parte da imprensa local, é importante entender que trata-se de algo deliberado e orquestrado.

Filha de Chávez reclama de "mentiras" sobre estado do pai - Terra 22.12.2012

Chávez e a derrota dos barões da imprensa - Carta Capital 18.10.2012

Chávez diz o que a imprensa brasileira não gosta de ouvir - Brasil Escrito 10/2012

A Venezuela vai enfrentar dificuldades gigantesca neste momento, e parte destes instrumentos de mídia vão tentar prejudicar o legado deixado ao povo venezuelano, e não será estranho ver se repetir cenas que há pouco vimos na Ásia e que conduziu a destruição de estados, não só de governos (adequados ou não, pois alguns foram crias destes mesmo que hoje patrocinam a queda).

Imprensa dos EUA critica duramente legado de Chávez na Venezuela - Midia News 06.03.2013

Infelizmente é triste perceber e reafirmar que parte importante da mídia nacional, tem um compromisso com estruturas e segmentos políticos que estão muitos mais comprometidos com os interesses próprios e de outros estados nações, do que com as necessidades de nosso povo e da verdadeira democracia.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Erros de um passado recente, STF em foco!


A cerca de 8 anos um grande erro jurídico foi cometido pelo Congresso Nacional e pelo STF!  Nossa Constituição prevê a proteção da vida e da dignidade humana em todas as fases, baseado no conceito que a vida em todos seus estágios, zigoto, gestação intrauterina, etc., é algo a ser preservado, e na ocasião tais instituições passaram por cima de nossa Constituição.

STF libera uso de células-tronco aprovado pelo Congresso - Agência Câmara 29.05.2008

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.510-0 DISTRITO FEDERAL Voto do STF

Em 2005 o Congresso Nacional aprovou o uso de células-tronco embrionárias na em pesquisas, em outras palavras permitiu interromper a vida num determinado estágio de desenvolvimento (matar), só para propícia o possível desenvolvimento da cura para algumas doenças ou de técnicas e tratamentos para restabelecer órgãos de pessoas portadora de deficiências, que acreditava-se ser possível desta forma.

O MP entrou com ação de inconstitucionalidade contra a Lei 11.105/05, julgada em 2008 pelo STF e por 7 votos a 4, os ministros consideraram a Lei constitucional, a revelia do que está na Carta Magna.

Veja alguns conceitos na página ao lado: Células-tronco e Ética Cristã  e Células-tronco MultiRio

Pouca gente conhece, mas na prática o que se fez, foi uma absurda deturpação dos valores e da legislação em prol de uma manobra para dar destino a milhares de embriões gerados em processos pouco éticos, sem controle, e sem respeito a dignidade humana,  e a exemplo do que ocorre fora do país em algumas nações desenvolvidas, nos quais centros de pesquisas, laboratórios e clínicas de inseminação artificial e auxílio a casais, geram mais embriões do que são necessário a uma gestação, no Brasil, se destinavam os embriões, excedentes e não aproveitados, ao lixo!

Na ocasião os defensores afirmavam que a Lei 11.105/05 protegia a vida, alegando que a Constituição não protege o embrião (não haveria vida nesta fase), e também ao determinar que fossem usados apenas embriões destinados ao descarte, sem em nenhum momento controlar a criação de embriões nas clínicas de fertilização.

Pois é, embriões são postos no lixo quando não são utilizados por casais!  Agora podem ser usados nas pesquisas e depois descartados como antes, o que mudou foi a legalidade destas ações. Num passado não muito distante pesquisas científicas sem respeito a dignidade humana, era algo que se via ou associava-se de pronto as técnicas e pesquisas para o "avanço da ciência" conduzidas pelos nazistas.

Outro aspecto que serviu à época como pretexto para a decisão do STF, manifestado por alguns dos ministros, é que a pesquisa com células-tronco embrionárias iria propiciar tratamentos ou curas de males que atingem muitas pessoas, e para os quais não havia alternativas.  Um exemplo muito citado era o da possibilidade de reconstituição de tecidos e órgãos atrofiados, possibilitando no futuro um cadeirante voltar a andar com suas próprias pernas, e que não aprovar a Lei representaria a possibilidade de interromper pesquisas que levariam a este resultado.

Absurdo, é algo como dizer que num dado momento é lícito fazer qualquer uso de material biológico, da vida de pessoas e seus órgãos, usando humanos em experiências que podem não funcionar, sem se importar com o que possa lhes acontecer, desde que isso pudesse trazer um novo tratamento e curas a outros (grosseiramente seria algo assim).


Na prática tudo não passava de um enorme erro endossado pelo STF!  Pois nunca se teve qualquer fundamento sólido de que tais processos pudessem de fato gerar um tratamento que culminasse em tais resultados, e passados 8 anos, a ciência já dá sinais de que este não era o caminho.

Na Inglaterra onde duas pesquisas com células-tronco embrionárias são conduzidas com este princípio, e são realizadas a mais de dez anos, não há nenhum resultado significativo que ampare esta abordagem de pensamento.  Ou seja, é muito pouco provável que um tratamento eficiente possa surgir destas pesquisas, e que venha a beneficiar pessoas com lesões graves que estejam impossibilitadas de andar.


Contrariando o que se pensava, atualmente muitos pesquisadores e países já admitem que os propensos benefícios das pesquisas com células-tronco embrionárias não são factíveis ou são menos apropriados que outras técnicas adotadas, e que há alternativas mais consistentes e com resultados mais confiáveis nas pesquisas com células-tronco adultas, ou seja com as células pluripotentes (são as chamadas células-tronco pluripotentes induzidas).

Unicamp abre novas pesquisas com células-tronco - Unicamp 17.12.2008


Os que são contrários a Lei, na época argumentavam corretamente que havia formas diferentes de buscar curas e tratamentos que não significa-se ameaçar a vida humana, sobre qualquer aspecto, considerando que todo ser humano tem sua existência anterior ao desenvolvimento uterino.  Ou seja todo homem recebe a sua carga genética e toda sua constituição básica, ainda enquanto zigoto, e portanto deve ser preservado.

Na prática o STF estaria definindo se o embrião era uma pessoa humana ou uma coisa/objeto. E pessoas foram reduzidas juridicamente a objetos em sua fase inicial, onde há a construção genética.

Ou seja, um Einstein, um Picasso, um Drumond, ou qualquer outra pessoa teve sua genética e sua vida definida quando da fecundação do óvulo pelo espermatozoide, não sendo justo descarta embriões seja em qual estágio for, pois configuraria-se um crime injustificável.

Na Alemanha já há leis que regulam os processos de fertilização, numa tentativa de impor restrições éticas e morais, que preservem a dignidade humana diante da ação descontrolada de clínicas de fertilização, limitou-se a geração de um único embrião por casal num processo de inseminação, para por fim a múltiplos descartes de embriões não aproveitados.

Pesquisadores descobriram que, ao manipular o DNA
 no núcleo de células maduras, elas poderiam
 se tornar células-tronco pluripotentes. 
(Thinkstock)
Recentemente, reforçando a tese dos que eram contrários ao uso de células-tronco embrionárias, uma pesquisa realizada por cientista britânico e um japonês, culminou com a premiação com o Nobel de Medicina aos pesquisadores, por conseguirem manipular o DNA de células adultas, gerando células-tronco pluripotentes, muito mais adequada a pesquisas de novos tratamentos, mostrando que apostar nas células-tronco embrionárias foi um erro enorme!

Britânico e japonês ganham Nobel de Medicina por pesquisas com células-tronco -Veja 



Leia também:

Bush veta lei sobre uso de células-tronco embrionárias - Wikinotícias 23.07.2006

China suspende tratamentos não aprovados com células-tronco - Estadão 10.01.2012

Escravismo biológico ou jurídico? O caso da pesquisa com células-tronco embrionárias - Anarita Araujo da Silveira

Juiz restringe verba para células-tronco de embrião nos EUA - Folha de S. Paulo 24.08.2010

Parlamento restringe importação de células-tronco embrionárias - DW 30.01.2002

Bioética e espiritualidade - NHU UFMS 2007

Células-Tronco série especial exibida pelo Jornal Nacional da Rede Globo - Tratamento com Células-tronco 18.01.2013

Parkinson: pesquisas nos EUA abrem novas possibilidades de tratamento e cura. Pesquisas usam células pluripotentes induzidas para tratamento do Mal de Parkinson- reportagem de O Globo 13.02.2012

domingo, 18 de novembro de 2012

A ameaça vem do supremo!

Não são raros os comentários e publicações nas diversas formas de mídias brasileiras, inerentes ao risco que há nas organizações e ações criminosas que se propagam rapidamente e com uma força incomum.

É justa a preocupação, ainda mais com os aspectos envolvidos com a corrupção e a  má gestão dos recursos públicos, que muitas vezes envolvem quadrilhas organizadas para dilapidar a união, estados e munícípios, com a participação ou a assistência de servidores e governantes.

Lugar de bandido é na cadeia! Claro, fazendo algo edificante e sob a perspectiva de correção e recuperação, e não apenas de aprimorar sua maldade.

Riscos existem!  E ações como estas listadas fazem mal a qualquer sociedade, povo ou país!

Há com tudo uma outra ameaça e forma de ação que trás riscos reais ao cidadão e ao país, sutil e nem sempre evidente, mas também a margem da lei ou apropriando-se dela para dá a sua própria interpretação, e assim agir em benefício de alguns.  Este risco e ameaça, em geral não está acessível ao cidadão, mas mostra seus efeitos nocivos e injustos a longo tempo, materializando-se em uma forma de poder ditatorial, que suplanta as instituições republicanas e as leis.

E quando esta ameaça parte daqueles que deveriam zelar pelas leis, pela Constituição, e pela harmonia dos poderes?  Já vimos isto no Brasil há algumas décadas, numa de suas facetas do poder, a ditadura militar. Na qual o povo foi oprimido e teve seus direitos maculados inúmeras vezes, transformando-se em dores e sofrimentos generalizados.

Em 1988 foi aprovada a Nova Constituição Federal do Brasil, e nela há  um conjunto de leis e princípios que resguardam a vida, os direitos do cidadão e a forma de exercer os poderes pelo estado, estabelecendo normas harmônicas e respeitosas de interação entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

Há algum tempo vemos denúncias públicas serem divulgadas na mídia nacional, e em alguns instantes evidências de que acusações feitas são procedentes, ao afirmar que o STF, órgão máximo da justiça brasileira, através de seus ministros, têm efetivamente dado interpretações a itens constitucionais, leis, que não comportariam as tais interpretações, e que se constituem numa forma de criar ou alterar leis, que não compete ao STF, mas ao Legislativo e ou Executivo nas formas e ritos previstos.

Até para nós leigos, é evidente que tais ações do STF ferem os princípios constitucionais que asseguram a independência e a harmonia entre os poderes, nos quais são claras e definidas as atribuições que compete a cada um dos poderes constituídos.

Nisto há um risco claro, de ser posta em prática uma forma de violação dos princípios republicanos, com a adoção de ações não respaldadas em leis (ou a partir da distorções destas), algo típico dos regimes de excessão, com o agravante de serem praticados por membros do STF, que agindo desta forma estariam beneficiando esta ou aquela classe social, esse ou aquele agrupamento, e prejudicando a estrutura republicana, inclusive invalidando as formas de escolha dos nossos representantes através do voto popular.

Por outro lado, os demais poderes não podem simplesmente assistir a estes atos, não importa o pretexto ou os resultados de tais ações, e devem sim atuar no intuito de fazer respeitar a Constituição e o povo brasileiro, são riscos muitos sérios e acusações graves que envolvem o órgão máximo do Poder Judiciário, e precisam ser tratados com zelo.

Foto de divulgação - Viomundo



Vejamos sobre o que falamos:

Presidente do Supremo Aires Brito, indefere questão de ordem em julgamento do STF, antes  do advogado Toron aperesentá-la, OAB vai examinar violação de direitos:

OAB apura se Ayres Britto violou prerrogativas de Toron - Luiz Nassif 22.09

O criador da Teoria do Domínio do Fato, o alemão Rixon, afirma que o STF não utilizou sua teoria corretamente, e dispõe-se a assessorar a defesa de réus condenados com base na distorção da teoria:

Participação no comando do mensalão tem de ser provada, diz jurista - Folha 11.11

Questionamentos põem em xeque teses do STF para condenar reús do mensalão - Pressenza

Sobre isto Rixon responde a Folha de São Paulo:

É possível usar a teoria para fundamentar a condenação de um acusado supondo sua participação apenas pelo fato de sua posição hierárquica?

Não, em absoluto. A pessoa que ocupa a posição no topo de uma organização tem também que ter comandado esse fato, emitido uma ordem. Isso seria um mau uso.

Mais uma violação no julgamento do Mensalão, que cada vez mais parece um linchamento político, quando deveria ser um ato de justiça independente de seu resultado, garantindo a imparcialidade da justiça:

Patrick Mariano: Decisão do ministro Joaquim Barbosa viola a Constituição e as leis vigentes - Viomundo 09.11

Segundo site especializado, JURISTAS, o julgamento do STF deve ser submetido à Corte Internacional, onde há muitas chances de ser invalidado, umas das questões básicas do Direito Internacional e que deveria ser adotada no julgamento e não é, é que o ministro Joaquim Barbosa foi o responsável pelas investigações e também conduziu o julgamento. No Direito Internacional é assegurado que o réu não pode ser julgado por quem o investigou, por este em tese ter interesse em ver prevalecer sua investigação e não julgar imparcialmente.

Mensalão: julgamento do STF pode não valer - Juristas 14.10

Sobre o comportamento do STF nos casos recentes, há críticas de grandes juristas inclusive, Dalmo Dallari:

Dalmo Dallari critica vazamento de votos e diz que mídia cobre STF “como se fosse um comício” - Viomundo 28.09

Diz o jurista ao repórter:

Viomundo – Mas o próprio Supremo está se deixando pautar pela mídia, concorda?

Dalmo Dallari – Sem dúvida alguma. Eu entendo que de parte a parte está havendo erro. Os dois [STF e mídia] deveriam tomar consciência de suas responsabilidades, da natureza dos atos que estão sendo noticiados, comentados, para que não se dê este ar de teatro que estamos assistindo.

Viomundo – A mídia às vezes antecipa como o ministro vai votar no dia seguinte. O que representa isso para um processo?

Dalmo Dallari — Isso é muito sério. Leva à conclusão de que houve uma interferência na formação da opinião do ministro. Ele não agiu com absoluta independência, com a discrição, a reserva que se pressupõe de um ministro de um tribunal superior.

Viomundo — Professor, que outros equívocos nesse julgamento comprometem o processo?

Dalmo Dallari – Pessoas que não têm “foro privilegiado” – a maioria, diga-se de passagem — estão sendo julgadas originariamente pelo Supremo Tribunal. Esse é um erro fundamental e mais do que óbvio. É uma afronta à Constituição, pois essas pessoas não têm “foro privilegiado” e devem ser julgadas inicialmente por juízes de instâncias inferiores.  A Constituição estabelece expressamente quais são os ocupantes de cargos que serão julgados originariamente pelo Supremo Tribunal.

Viomundo – O que representa essa decisão do STF de julgar todos os acusados?

Dalmo Dallari — O direito de ampla defesa delas foi prejudicado. Isso vai contra a Constituição brasileira, que afirma que elas têm esse direito. Vai também contra compromissos  internacionais que o Brasil assumiu de garantir esse amplo direito de defesa.

Depois de terminado o julgamento, isso vai abrir a possibilidade de uma nova etapa. É fácil prever. Os advogados dos condenados sem “foro privilegiado” têm dois caminhos a seguir. Um, será uma denúncia a uma Corte internacional, no caso a Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). O outro: eles poderão entrar também com uma ação declaratória perante o próprio Supremo Tribunal para que declare nulas as decisões, porque os réus não tinham “foro privilegiado”. E, aí, vai criar uma situação extremamente difícil para o Supremo Tribunal, que terá de julgar os seus próprios atos.

Então, pelas ponderações do renomado juristas, há no mínimo pessoas que não deveriam ser julgadas no STF, e comportamentos afrontosos a Constituição estão em curso!

O julgamento é só um show para a tv?  A conduta dos ministros será um precedente negativo ao STF, que permanecerá sem resposta?

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Leia mais:

Com relação a outras decisões do STF consideradas polêmicas, e cujo resultado apontam para ações pelos ministros, que ferem a Constituição do Brasil, inclusive atuando em funções de legisladores, violando a autonomia e a harmonia entre os poderes:

Sobre a decisão do STF em relação ao aborto de fetos anencélafos:

Apresentamos um artigo publicado na JUS Navigandi do  Dr. Francisco Gilney Bezerra de Carvalho Ferreira, Procurador Federal. Membro da Advocacia-Geral da União. Ex-Analista da Controladoria-Geral da União. Pós-Graduado em Direito Público.
Nele o procurador conclui:
O Supremo Tribunal Federal, em decisão proferida nos autos da ADPF n°. 54, além de não observar tais premissas, ignorou o princípio da separação de poderes, atuando como legislador positivo. A utilização da técnica de interpretação conforme à Constituição, como suposto controle de constitucionalidade, revelou-se como criação anômala pelo judiciário de nova excludente de ilicitude ao Código Penal, cuja dicção dos artigos 124, 126 e 128, não comportam margem para interpretação diversa.

A atuação da Suprema Corte gera extrema insegurança jurídica e social, abrindo precedente gravoso para eventuais práticas abortivas irresponsáveis, principalmente ante a ausência de regulamentação própria para o caso de fetos anencéfalos, bem como a fragilidade dos elementos de convicção científica, resultando na possibilidade de aprovações futuras de aborto em diversas outras patologias intra-uterinas que não necessariamente guardem relação à anencefalia, melhor chamada meroencefalia.

É bom ver também o monstrengo que criou o STF ao autorizar a união civil entre pessoas do mesmo sexo, não que ela não possa existir, o que poderia feito ser através de outras vias, o problema é que ao conceder o status de casamento e tratá-lo como família, o STF foi contra o Art. 226 §§ 3º da Constituição Federal, e aí um Juiz da Vara da Fazenda mandou as favas a decisão do STF, por criar algo que fere a Constituição e estar o Juiz amparado por ela, sob alegação de que o STF não pode suprimir texto constitucional vigente, simplesmente tem julgado em contrário a decisão do STF.

Veja o que está na reportagem da Veja em 07.2011:

Juiz volta a tornar sem efeito união homossexual. Ou: quando uma corte suprema torna excludente dois artigos da Constituição - Veja 01.07.2011

Mas esperem. A mesma Constituição que abriga o que vai acima disposto também é explícita a mais não poder no parágrafo 3º do Artigo 226:
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 3º – Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.
Existe algum artigo na Constituição que autorize o Supremo a decidir contra o que vai explicitado no próprio texto? Não. Existe algum artigo na Constituição que autorize o Supremo a legislar? Não! O tribunal pode, diante de um Mandado de Injunção, estabelecer determinadas condições para o cumprimento de uma disposição constitucional que dependa de lei ainda não votada pelo Congresso. Valerá o que decidir o tribunal enquanto não houver, então, a legislação específica.
Mas não é, evidentemente, o caso da união estável. Ela está explicitamente definida na Carta, e a lei específica que a regula também reconhece a união civil entre “homem” e “mulher”. Reparem: nem essa lei poderia ser mudada para abrigar a união gay enquanto uma emenda não mudasse o Artigo 226. Pois é… E agora?
Quem conduziu o país a esse paradoxo foi o Supremo, não o juiz Jeronymo Villas Boas. Por determinação do Artigo 102, a decisão do juiz será revista para que valha a do tribunal, que, no entanto, mandou às favas o 226.
Digam-me: uma decisão que torna excludentes entre si dois artigos da Constituição é uma boa decisão?

O Supremo está cheio de celebridades, mas estão perdendo totalmente a compostura e a noção de suas funções. Isto em si é um perigo bem maior as instituições republicanas!

Diz a Constituição Federal:

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 3º – Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.

Ainda há mais:




A cerca de dois anos o deputado federal pelo Piauí alerta para as invasões do STF sobre as funções legislativas, e tenta fazer com que a Câmara Federal dê enfrentamento aos erros do STF.



Preciosidades em Justiça no Brasil  em 30.04.2012



A AMEAÇA VEM DO SUPREMO!  O QUE FAZER?

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Eleições 2012 - projeções!

PUBLICADO EM 25.09.2012  (mídias sociais, e distribuição local)

Neste ano estão em curso as eleições municipais em todo o Brasil, e não faltam análises, pesquisas, previsões e toda uma gama de informações, ações e expectativas entorno do processo e dos resultados que se definiram após 07 de outubro, ao menos no maior número de cidades, pois algumas terão segundo turno.

Não pretendemos ser apenas mais um a expor opiniões sobre o processo eleitoral em curso, nem temos a percepção de que detemos o conhecimento e as informações para elaborarmos uma preciosidade de texto e idéia sobre o tema, mas temos a certeza de podermos abordar muito bem dois aspectos importantes e interrelacionados do cenário político eleitoral atual, e que tem haver com a postura e políticas de aliança do PT em algumas capitais e sua relação difícil com aliados novos e antigos.

Chamamos a atenção de todos para estes pontos:

- Os horizontes para o PT em 2012 e 2014;
- Quem são os aliados do PT, a relação com o PMDB e com o PSB;
- A ameaça que vem de Pernambuco.


Os horizontes para o PT em 2012 e 2014

O PT atual já guarda pouca afinidade com o partido que emergiu no cenário político nacional na década de 80, e que conseguia unir intelectuais, políticos de esquerda, cientistas e artistas, estudantes, religiosos, camponeses e representantes dos vários movimentos sociais, sob o comando de um grupo de profissionais de várias áreas, mas principalmente de trabalhadores e sindicalistas.

Hoje o partido não guarda muito do que construiu desde as suas origens, quando ainda sob a marca da ditadura havia  reuniões e encontros realizados em locais de influência ou destinado a ações da Igreja Católica, ou nos locais que foram palco de grandes mobilizações de trabalhadores.

O PT amadureceu e perdeu parte de suas bandeiras ideológicas, caminhou na direção de um profissionalismo polítiico e administrativo que o transformou numa grande máquina eleitoral, e hoje tem sua imagem pública bastante arranhada, caindo na mesmice política vigente no Brasil, muito mais por suas principais lideranças se deixarem envolver pelo fisiologismo de aliados e membros integrantes de ocasião, dentre outros e para não falar das relações corporativas com grandes ícones do cenário econômico, etc., do que propriamente como resultado das transformações sociais que vem ocorrendo desde a sua fundação.

O PT ainda preserva valores importantes e ícones da política nacional, isto lhe dá uma certa força e o torna importante para o Brasil e para muitos segmentos sociais, em parte também pela relativa incapacidade, incompetência e descompromisso com as questões nacionais por parte da oposição política no país.

Tendo por figura central o popular ex-presidente Lula, Luiz Inácio Lula da Silva, figura carismática e identificada com a maior parcela da população brasileira, e o comando do Governo Federal na pessoa da atual presidente Dilma Roussef, o partido apresenta um respeitado potencial eleitoral para as eleições de 2012, amparado principalmente pelas obras sociais e transformações que fizeram o Brasil emergir e projetar-se no cenário internacional, e que pode-se assim dizer tiveram início no Governo Lula, já que até então as mudanças econômicas e as ações dos governos anteriores não repercutiam em ganhos diretos e melhorias da condição de vida do povo brasileiro.

Tais fatos ainda são muito relevantes e importantes no cenário político eleitoral, mas podem não representar uma certeza de sucesso para o PT em seus projetos municipais, por diversas razões, mas destacamos uma certa acomodação do eleitorado, onde os jovens eleitores não conseguem perceber os ganhos efetivos proporcionado pela gestão petistas, por não terem referências das dificuldades anteriores, e por significativo número de eleitores não só desta faixa etária, não conseguirem distinguir bem quais obras e ações em curso e que lhes são benéficas, são frutos dos projetos e da política do PT, atribuindo tais benefíces a "aliados" políticos do PT que conseguem capitalizar tais ações boas e transferir o ônus da gestão (tudo que é negativo e desgastante) para o partido no comando, o PT.

Isto associado a uma série de erros inerentes ou não a democrácia petista, sejam internos ao partido ou não,  e  também quanto a um certo "romantismo" ainda existente na política de alianças e na forma de fazer a montagem das chapas, agravado por centralismo nas decisões relacionadas, e que estão em mãos de expoentes regionais do partido (as estrêlas do PT), devem levar o PT a ter perdas significativas nestas eleições, em especial quando levamos em conta as disputas pelo comando nas principais capitais brasileiras e naquelas importantes cidades onde o partido já havia se firmado no comando do executivo municipal.

Mesmo mantendo significativa força, o PT vai sofrer reveses em capitais de peso, e as eleições de 2012 deixaram um certo gosto de derrota, que trará dificuldades para os projetos de 2014!

- Quem são os aliados do PT, a relação com o PMDB e com o PSB

Não fosse as disputas em Recife e BH por exemplo, até poderíamos supor a continuidade de uma forte aliança entre o PT e o PSB, no entanto o que ocorre nestas capitais é sintomático e aponta para um distanciamento ainda maior em breve com projetos políticos e eleitorais concorrentes.

O PSB será um calo para o PT, dada a ambição e personalismo concentrado num número menor de atores no PSB, que ainda não tem projeto nacional viável mas tenta ocupar os mesmos espaços do PT.

A aliança no momento fortaleceu o PSB em muito, que soube capitalisar os ganhos da estrutura do poder federal, e tem transferido os ônus de ser governo para o PT,  parte deste "sucesso" deve-se a uma visão "digamos romântica" do PT em relação ao PSB que é reforçada por parte do PT paulista e por ações do Lula.

Isto é um problema adicional, pois o PT terá que partir para ofensiva em breve!  É uma questão de manutenção de poder e projeto político a médio prazo.

Com o PMDB a tendência será de reforço nas relações com o PT, esta associação tende a prevalecer por interesses mútuos sendo facilitada pela ausência de sobreposição, por algum tempo, o que não ocorre com o PSB que ainda pode arrastar pequenos partidos da base para sua área de influência.

O PMDB como sempre terá de acomodar todos os grupos e reforçar o Temer! Mas há um preço alto!

PT ainda tem folêgo para no mínimo mais 8 anos na presidência após o término do atual mandato de Dilma, mantida as variáveis atuais.

- A ameaça que vem de Pernambuco:

Muitos subestimam a ambição de Eduardo Campos do PSB de Pernambuco, mas ele tem planos que pode atrapalhar o PT em seus projetos para 2014, não a ponto de inviabiliza-los, mas de enfraquecer o PT.

Em parte isto ocorre por conta de problemas do PT, não regionais, nacionais e de posicionamento em relação ao PSB.

PSB não é aliado, é concorrente!  Em muitas regiões disputa os mesmo eleitores que o PT, e corre por fora como um asarão!

Mas falta a Eduardo a projeção e o cacife para vôos mais altos, portanto deverá apostar numa política de alianças fazendo a nível nacional, o que o PSB de Pernambuco faz muito bem, intervir nos assuntos internos dos partidos aliados tentando obter apoios e espaços obtidos apartir de conflitos fomentados.

Não será surpresa alguma o PSB buscar alianças com grupos ou partidos muito ligados a antiga direita brasileira, como fez Eduardo aliando-se ao maior adversário de seu avô Arraes e do próprio governador de Pernambuco, o senador Jarbas Vasconcelos, crítico ferrenho de Lula.

Por trás da imagem de bom moço alimentada pela publicidade, maquiagem das ações e resultados obtidos a frente do governo, Eduardo, mostra ser um político mais preocupado em ter o poder do que preservar uma linha política!

O PT deve levar a sério esta ameaça, e o enfrentamento passa pela estratégia a adotar antes mesmo de 2014!  Caso contrário o projeto do PT pode ser minado por alguns dos principais aliados!


Achamos por bem publicar a íntegra do texto circulado em outras mídias antes das eleições! No futuro será útil revê-lo!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Super STF

Em tempos como os atuais, coisas estranhas acontecem, e juízes togados se transformam em "super heróis", ao menos para as novas estrêlas da tv, os supremos do STF, com direito a capa e tudo.

Não há nada de anormal em juízes do STF julgar e condenar infratores e criminosos, mas não é isto que vemos ao vivo na novela do mensalão, com todo respeito parecem que perderam a sobriedade necessária.

Não bastassem os conflitos público entre magistrados, o que já não é bom sinal, no mínimo preocupante dado a função e cargo, alguns parecem querer de fato fazer carreira na telinha.

Deixando de lado estes aspectos, e sem entrar na questão de são ou não culpados os réus, apenas frisando que todo aquele emputado para a qual haja provas suficientes, que se cumpra a lei.

Mas a exemplo de outras decisões inusitadas, como quando o STF deliberou sobre famílias formadas por casais homoafetivos, dando interpretação própria favorável as minorias gays e segundo juristas renomados contrariando texto constitucional claro e direto que definia o conceito de família e dispensa interpretação, caracterizando uma extrapolação as funções do STF e permitindo a juízes legislar.

O que é preocupante no caso citado, seria a possível violação dos ministros do STF a um texto constitucionalm criando super juízesm que agem segundo seus ´próprios conceitos. 

No caso do mensalão, muitos já afirmam que novamente há violações de direitos individuais no STF, pela adoção de critérios de julgamento e atribuição de culpa sem provas concretas e evidentes contra  alguns réus, apenas pela suposição de participação destes ou acusações frágeis, prejudicando inclusive direitos que preconizão que o réu é inocente até que se prove o contrário (evidencie-se com consistência). 

Se algo assim ocorre, e adota-se princípios de julgamento que são contrários ao que o próprio STF já adotou em súmulas e julgamentos de casos semelhantes, há sim com que se preocupar, pois a razão de existência desta côrte/poder é garantir o cumprimento da lei e do adequado uso da Constituição.

Vejamos algumas das publicações:

A dosimetria da ditadura e o mensalão

A vertigem do supremo

A ocultação deliberada para condenar o PT

STF contra o ”mensalão”: julgamento rasga o disfarce da democracia burguesa

Jurista alemão adverte sobre o mau uso de sua “Teoria do Domínio do Fato”

CLAUS ROXIN, o jurista alemão responsável pela teoria ‘domínio dos fatos’, critica o uso que STF fez dela

É no mínimo estranho que o criador da teoria usada pelo STF para condenar réus do núcleo político, critique o STF por mau uso da teoria.