quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A volta do equilíbrio e da serenidade no STF?

Um momento de equilíbrio no STF.  Pelas mãos do mais severo julgador do mensalão, ministro Celso de Mello, a suprema corte mostrou sinais de responsabilidade e respeito a Constituição.  Com sua decisão o ministro envia uma mensagem clara, não se trata de quem será julgado, mas de assegurar que as leis e direito de ampla defesa serão preservados e garantidos no STF.

O Brasil é signatários de acordos internacionais e adota princípios jurídicos universais, um dos quais os que asseguram a possibilidade de recurso e defesa a réus, que no caso do mensalão foram julgados em um só côrte sem outras instâncias recursais, o processo 470 originou-se no STF e se não fossem acatados os embargos infringentes não teria sido garantido o amplo direito de defesa aos réus.

Num possível recurso a Côrte Interamericana, ficaria evidenciada uma violação dos direitos humanos, que independem de quem é o réu e quem o julga, o momento ou a veracidade das acusações, condicionando ao cumprimento estrito da lei que deveria assegurar a ampla defesa, certamente o Brasil e o STF, a própria Justiça estaria maculada em sua imagem e valores.

Se Dirceu continuará com a pena destinada ou não, se alguém será absolvido ou não, importa menos do que a ESTABILIDADE INSTITUCIONAL E A GARANTIA DOS DIREITOS INDIVIDUAIS E COLETIVOS.

Ministro Celso de Mello - Agência STF
Não é o tempo que será preponderante neste processo, mas os fundamentos legais, a possibilidade de atribuir-lhes uma culpa efetiva garantido todos os direitos, que existiram para todo e qualquer outro réu que por ventura vier a ser julgado em ações originárias no STF, para as quais haja condições aceitáveis de questionamento e dúvidas (no caso previsto, um mínimo de 04 quatro votos discordantes). A consistência das acusações e provas é que vão determinar a manutenção das penas atribuídas aos réus do mensalão.

GANHOU O PAÍS E POVO AO TER LEIS APLICÁVEIS, UM STF RESPONSÁVEL E ATENTO A SUAS ATRIBUIÇÕES, QUE SUPERA AS PAIXÕES E O DESEJO DE "JUSTIÇAR" PARA APLICAR LEIS COM SERENIDADE E ZELO, E NÃO ABERRAÇÕES JURÍDICAS QUE AMEACEM GARANTIAS E DIREITOS INDIVIDUAIS E COLETIVOS, AO SABOR DOS VENTOS E DE FORMA AÇODADA.

Que se faça Justiça, independente de a quem atingirá e das manobras e interesses menores!

As Leis devem ser estáveis, imparciais e justas e aos juízes cabe aplicá-las!  Celso de Mello resgata a constituição rasgada!

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Bom seria examinar o conteúdo do voto, algo primoroso para o Direito e para a história recente do Brasil.

Há trechos de muita lucidez e respeito a Constituição e as leis.  Vale salientar que até este momento um dos mais enfáticos defensores da legalidade e das responsabilidades do STF tem sido o ministro Ricardo Lewandowski, que tem se pautado pela imparcialidade e sobriedade.

“Adiro, somando esse único voto àqueles outros cinco no sentido da possibilidade dos embargos infringentes, e respeitando a divergência que se estabeleceu por parte dos ministros que entendem os embargos inadmissíveis”, afirmou Celso de Mello em seu voto, ressaltando que o recurso vale quando houver pelo menos quatro votos divergentes. 

“A finalidade dos embargos infringentes consiste em fazer prevalecer no rejulgamento da causa que foi objeto da divergência”, afirma Celso de Mello.

“Não se trata de discutir ou estimular filigranas jurídicas em um debate tão serio que está sendo realizado pelo Supremo Tribunal Federal para muito além da tecnicalidade jurídica. Essa corte se defronta (...) não só unicamente com esse caso. Esse tribunal é um tribunal de princípios que a Constituição consagrou em seu texto. O Supremo está aqui e agora prestando reverência (...) Um compromisso de respeitar e de fazer respeitar direitos e garantias fundamentais. A Corte age de maneira impessoal, isenta e independente”, afirmou Celso de Mello.

Celso de Mello diz que o Brasil reconheceu a obrigatoriedade de sua submissão à Corte Interamericana de Direitos Humanos e citou a Venezuela, que decidiu abandonar o órgão.

“Respeito ao duplo grau de jurisdição é indispensável e não existem ressalvas na Corte Interamericana”, diz o decano em seu voto.

“É claro que os embargos infringentes mostram-se insuficientes à plena realização de um direito fundamental previsto na Corte Interamericana de Direitos Humanos”, afirmou Celso de Mello. Sobre o duplo reexame, Celso de Mello argumenta que esse é um direito também previsto em condenações penais quando há prerrogativa de foro.  

Ao argumentar que subsistem os embargos infringentes, Celso de Mello afirma: “Não há outro órgão no Poder Judiciário a que a parte possa se dirigir (em processos penais originários no STF)”

Para Celso de Mello, quatro votos divergentes “são significativos num processo”. Diz o artigo 333, inciso I, do STF: “Cabem embargos infringentes à decisão não unânime do Plenário ou da Turma que julgar procedente ação penal". 

“Entendo, portanto, subsistente com força de lei, com eficácia de lei o inciso I, do artigo 333, do nosso regimento interno”, afirma Celso de Mello. Esse artigo é o que prevê a interposição de embargos infringentes no Supremo Tribunal Federal.

Celso de Mello lê o argumento usado para se rejeitar a proposta da Presidência da República que pretendia abolir os embargos infringentes: “A possibilidade de embargos infringentes contra decisão não unânime no STF constitui importante canal, seja para reafirmação seja para modificação do entendimento sobre temas constitucionais”

“(No voto de agosto de 2012) referi-me à previsão regimental (dos embargos infringentes) nos processos penais originários”, afirmou o decano da Corte. Para ele, subsistem no STF os embargos infringentes previstos no regimento interno.

Ele ressalta que nos regimentos internos do STF, a partir de 1909 - incluindo o de 1940, 1970 e 1980 (atual), constam os embargos infringentes.

Segundo Celso de Mello, o próprio projeto de lei do novo Código de Processo Penal contempla a previsão dos embargos infringentes.

Celso de Mello cita juristas contrários e favoráveis aos embargos infringentes: “É verdade que esse é um recurso cuja existência tem merecido uma série de críticas.”

 “Nada se perde quando se respeitam e se cumprem as leis e a Constituição da República. Tudo se tem a perder quando a Constituição e as leis são transgredidas por quaisquer dos poderes do Estado”, diz o ministro.

“O processo penal institui instrumento garantidor e não pode constituir uma reação instintiva e arbitrária”, continuou o decano. Celso de Mello sinaliza que vai aceitar os embargos infringentes.

“O que mais importa nesse julgamento sobre a admissibilidade dos embargos infringentes é o compromisso moral dessa Corte Suprema com o respeito às diretrizes do devido processo legal. Ninguém pode ser privado, ainda que se revele antagônico o sentimento da coletividade, do dever da proteção dos réus, de qualquer réu”, afirmou o ministro.

Celso de Mello reitera que o julgamento do STF não pode se expor a pressões para que seja isento e independente.

“Que meu voto apenas seja mais um e um voto que se somará a um grupo de cinco outras manifestações”, disse Celso de Mello.

Parte do voto do ministro, transcrito do portal Último Segundo da IG em 18.09.2013
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Condenável o casuísmo e o pouco respeito as leis e a própria liberdade de julgamento, caracterizadas por declarações de Gilmar Mendes.

"Posso recomendar uma pizzaria", brincou o magistrado.

´Posso recomendar uma pizzaria', diz Gilmar Mendes sobre mensalão

Ainda mais partindo deste polêmico ministro, é só lembrar os bate-bocas com o ministro Joaquim Barbosa, ou de seu abuso de poder ao determinar que a Câmara Federal não poderia exercer suas atribuições de legisladores, interrompendo sessão e votação desta.

Recomendo ler a entrevistas do ex-ministro do STF Nelson Jobim.

Nelson Jobim - IG Braília (Alan Sampaio)

"A função do Supremo não é política. É institucional jurídica", diz Jobim - IG

terça-feira, 17 de setembro de 2013

As leis estão acima dos iluminados!


Ao fazer um gesto tão pequeno, Joaquim Barbosa demonstrou o que pensa de nossas leis.  Quem sabe não quer escrever sua própria constituição, não lhe falta exemplos de pouco respeito as leis nacionais e de suas ações truculentas.


Presidente do STF rasga Constituição.

Não seria a primeira vez que ele rasgou a constituição, em outros momentos ignorando a lei e dando sua próprias versões, interpretando o que dispensava interpretação.

Não bastasse a atitude de burla a lei e tentar multiplicar o orçamento do CNJ, contrariando preceitos legais e posição manifesta do Tribunal de Contas da União, o ministro se supera mais uma vez, para desconforto do judiciário brasileiro.

Joaquim Barbosa tenta manobra para triplicar folha de salários do CNJ - Zero Hora 11.06.2013

Episódios como os que ocorreram no julgamento do mensalão estão acima da culpabilidade dos réus, e passam pela necessidade clara de condenação até mesmo enterrando leis e direitos que os tais possam ter, a questão é simples, se nós aceitamos que condenações sejam impostas ao sabor de interesses midiáticos ou mesmo corporativos e sem o devido direito de defesa, corremos o risco de criar mais uma ditadura.

Paulo Moreira Leite: Por que bonzinhos querem acabar logo com o show?

No tal julgamento sobresaiu o comportamento e os interesses do ministro, criou interpretações de fundamentos jurídicos que nem mesmo o criador da Teoria do Domínio dos Fatos, Claus Roxin, concorda com a sua utilização no julgamento do mensalão, para o qual o jurista alemão aponta como grave distorção de sua concepção jurídica.

Joaquim Barbosa na falta de argumentos legais para emputar responsabilidade ao réu José Dirceu, criou uma aberração jurídica, e ainda por cima sendo o processo originário no STF, tenta abolir os embargos infringentes, sob alegação reforçada por uns de dar celeridade ao processo e as penas. Em suma em qualquer outra instância há recursos para os réus, mas não no STF que estaria se caracterizando num, tribunal de excessão.

Especialistas questionam aplicação de teoria alemã no julgamento do mensalão - Zero Hora 23.12.2012

Juristas acham declarações de Barbosa açodadas e vulgares - Viomundo 03.03.2013

Participação no comando do mensalão tem de ser provada, diz jurista - Folha 11.11

A ameaça vem do supremo!


Felizmente outros ministros ponderam melhor a questão, sem a influência da mídia nem adesão a partido.

Não vemos o então relator fazer um trabalho imparcial no caso do mensalão mineiro, ou estes não mereceriam ser julgados por serem do PSDB?

Joaquim Barbosa acusa Gilmar Mendes de 'destruir a credibilidade da Justiça - O Globo/Noblat 22.04.2009

Cabe ao ministro Celso de Melo reparar parte do brio do STF e adotar postura coerente com a Constituição.

Em meio a sucessões de notícias ruins que envolvem ministros do STF, falta decoro para ter uma postura isenta e justa em certos julgamentos.



Vejam também:

‘Adiamento aprofundou ainda mais minha convicção’, diz Celso de Mello - Estadão 16.09

Coerência e resistência a pressões parecem que serão as marcas do decano.  Assim esperamos, pois um dos poucos que tem de fato tido uma preocupação com o STF e o arcabouço jurídico brasileiro tem sido o ministro Lewandowiski, e se o ministro Celso de Mello referendar seu voto como o fez durante o processo veremos mais uma ponta de correção em meio aos abusos patrocinados e apoiados por elementos de dentro e de fora do STF.

Ministro Ricardo Lewandowski durante sessão que julga embargos do processo do mensalão Foto: Nelson Jr./SCO/STF / Divulgação
Ricardo Lewandowski - ministro do STF
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'É um equívoco dizer que haverá um novo julgamento', diz Lewandowski - Terra 16.09

Este será o próximo presidente do STF, espero que permaneça com a lucidez e sensatez que demonstra.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Viva Rachid uma história de lutas!

O Grupo Viva Rachid é parte de uma história de 29 anos de luta protagonizada por uma mulher de fibra e muita disposição a se doar ao próximo.

A Sra, Alaíde Elias, idealizadora da ONG, acolheu pessoas, em especial crianças portadoras do vírus HVI, num contexto no qual o Estado, nas suas várias formas de representação estava ausente, era omisso, ou quando atuava de alguma forma tinha uma ação insuficiente.

Seu gesto, sua força e disposição materializaram-se em intervenções positivas em muitas vidas, e trouxe alento e oportunidades a quem era esquecido e marginalizado.  Através do Viva Rachid muitas vidas foram encaminhadas para a esperança e oportunidades diferentes de sentenças de exclusão.

Sra. Alaíde Elias - Viva Rachid
PARABÉNS SRA. ALAÍDE ELIAS!  Não podemos dizer que somos próximos ou amigos, não podemos desfrutar deste privilégio, mas acompanhamos seu trabalho a distância há algum tempo, e podemos contar como testemunhas da sua luta, algumas das dificuldades enfrentadas por falta de apoio e ajuda efetiva do Estado, que novamente se omite diante da difícil situação que enfrenta a ONG.

Presenciamos algumas de suas inúmeras missões no intuito de suprir deficiências, cobrir débitos da instituição e usar recursos parcos para atender e possibilitar ajudas a muitos em Pernambuco, mas que se constituiu um legado para todo o Brasil, um exemplo a seguir e respeitar, infelizmente ignorado pelos governantes e autoridades públicas, e muitos da sociedade civil que poderiam evitar o fim desta obra.

É LAMENTÁVEL TER QUE DIVULGAR O FECHAMENTO DA INSTITUIÇÃO, QUE HOJE SE PROCESSA SEM AÇÕES PÚBLICAS QUE POSSAM EVITAR TAL PERDA!

O ESTADO NÃO RECONHECE SEU TRABALHO E AÇÃO SOCIAL, MAS NÓS QUE ASSISTIMOS SUA LUTA LHE PARABENIZAMOS, E PEDIMOS PARA NÃO SE AFASTAR DAS LUTAS E PESSOAS BENEFICIADAS POR SUA AÇÃO.

O VIVA RACHID ESTÁ FECHANDO, PENA!  UMA PERDA PARA TODOS PERNAMBUCANOS!

Há alguns meses ouvimos alguns desabafos ainda mais difíceis dos que já ocorriam há alguns anos, e a possibilidade de fechamento da instituição diante dos problemas que se acumulavam ficou mais e mais evidente, conhecemos esta luta ao menos do que se passava e observamos na instituição financeira onde o Viva Rachid operava, vimos também sua luta como guerreira resistindo ao inevitável, pena que este dia triste se aproxima de fato.

Hoje após uma conversa bem esclarecedoras e diante de experiências próprias, percebemos o tamanho das dificuldades que enfrenta e as razões que levam ao Viva Rachid deixar de brilhar entre os que agem pelo bem.  Nossos governantes não são dignos de obras e pessoas como a Sra Alaíde Elias.

No Recife, ONG Viva Rachid ameaça fechar as portas por falta de recurso - G1 09.07

Com dificuldades financeiras, Grupo Viva Rachid pode fechar em 2012 Ne10 03.11.2011

Lutando pela vida - Orquestra Crianças Cidadãs

Viva Rachid - Blog