quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O Brasil em desconstrução!

O sonho acalentado à poucos anos pelo país, em ser uma grande nação no cenário internacional está cada vez mais distante.  Ainda que o Brasil esteja beneficiado de alguma forma por políticas das gestões petistas, que aproximaram a integração sul-sul, deram destaques ao país na formação dos BRICS e um outro patamar as relações com vizinhos, hoje o processo regride e a imagem do país é mais afetada pelas distorções legais e políticas, em face do que se consumou e está em andamento por meio de tribunais de excessão e judiciário omisso ou comprometido, e conchavos e acordos espúrios entre políticos, empresários e segmentos das elites nacionais, com destaque a mídias golpistas, e que resultaram numa ruptura da democracia e inseguranças que potencializaram a crise que vivemos.




Excessões que são provenientes da forma como são conduzidos processos, e instâncias agindo como se alguns dos representantes da justiça ao praticarem ou serem centro de espetáculos, não comprometessem o processo ou a imagem dos supostos acusados, e outras instituições, mesmo adora.






Os estragos da parcialidade das investigações, no MPF, na Lava Jato e na posição do STF, assim como os flagrantes acordos espúrios entre políticos e financiadores da economia, empresários e outros, tem sido tão destrutivos que seus reflexos se estenderam por décadas, sendo que o país estará mergulhado em um processo de desconstrução social, prejudicando o povo em especial quanto a pequenos e frágeis avanços conseguidos nos últimos anos, esse estado de coisa afasta o Brasil de seu lugar de direito entre as nações mundiais, e beneficiam antigos atores internacionais que vêem o país como um quintal, uma espécie de colônia, com uma política, direção e povo de segunda categoria.


Já se passaram 7 meses aproximadamente desde o afastamento de Dilma Roussef, e há um mês Temer foi efetivado, por meio de um processo que segundo muitos representantes populares, mídias e juristas, dentre tantos segmentos sociais, consideram ilegítimo e golpistas, assim como nós.  Como em outras publicações salientamos aspectos que são decisivos, a paralisa da economia em parte por um boicote de segmentos empresariais, nem sempre explícito como os de alguns grandes jornais e sistemas de mídias, com sua agenda própria focando em fatos negativos e ampliando crises, também com a parcialidade que marcou outras instituições ligadas sobre tudo a justiça,  O que desencadeou uma reação de parte da população manipulada, e defesas também decorrentes desses desvios de uma ruptura democrática, que foi apropriada por uma verdadeira quadrilha de políticos, governantes e outros corruptos para se proteger e instituir seus modelos de governo e pensamentos contrários aos que priorizavam as demandas populares defendidos pela esquerda,  que amplificam as desigualdades.



Afundaram o país na lama para justificar o golpe, a perseguição do PT e de alguns políticos sem provas e acusações fundamentadas, rasgando a Constituição, inclusive no processo de impeachment. Mas a 7 meses os golpistas estão no poder sem considerar o tempo em que participavam do governo anterior, e a economia, as condições sociais do povo e projeção do país internacionalmente só pioram. Os índices significativos são a prova do que abordamos, mas há novos aspectos a considerar, a situação do Brasil ainda se agravara muito mais e a recuperação será muito lenta, levando anos, ainda assim, não teremos garantias e direitos legais como hoje, mais abertos e amplos, mais inclusivos, pois avança o desmonte da base legal que permitiu tais avanços, com a limitação de gastos em saúde e educação e outros setôres essenciais e ainda insuficientes da esfera pública, como segurança, terão gastos limitados e determinados agora por período de 20 anos, à despeito do que possa querer o povo e necessitar, e da perspectiva de aumento da demanda com populações maiores, mais excluídas e cada vez mais velhas.  


A Petrobrás é um bom exemplo, não se pode dizer hoje o que lhe foi mais prejudicial, os "roubos e desvios", ou a exposição feita pela Lava Jato, incluindo o fato de contratos serem paralisados com dano maiores, e as inúmeras tentativas de parte do judiciário em apropriar-se de parte dos recursos recuperados, ou o fato de investigações sobre alguns não avançarem como o caso Eduardo Cunha e Renan Calheiros, citados como o Temer, e que supostos benefícios e dinheiro não foram bloqueados.

Oposição faz ato na Câmara contra PEC do Teto - UOL 05.10.2016




Da mesma forma que a Petrobrás sofre o Brasil, e com medidas do governo atual, onde a economia não decola e só alguns privilegiados ganham, mas tentam ainda culpar o PT e Dilma Roussef.



O Brasil com a limitação dos gastos essenciais, põem seu desenvolvimento e sua grandeza em xeque, mais principalmente as necessidades futuras e presentes do povo brasileiro.  Associa-se a esse conjunto as famigeradas reformas da previdência que castiga o trabalhador com uma perspectivas longínquas de aposentadoria e uma eterna  contribuição para pagamento da seguridade, com pessoas tendo que pagar contribuições por mais de 45 anos de trabalho segundo regras previstas que associam as mesmas a idades não inferiores a 65 anos. Mas as distorções que vemos para a previdência dos políticos, militares, judiciário e outros privilegiados continuaram a drenar nossos recursos.  Não bastasse a famigerada não vem só, mas acompanhada de um enorme ataque aos direitos trabalhistas, que vão fortalecer a destruição do sonho de camadas sociais emergentes, do trabalhador como um todo, e também darão sua pesada contribuição para estagnação da economia com arrochos nos ganhos e benefícios, e perdas de direitos conquistados com a CLT.  Direitos que existem para proteger trabalhadores e dar garantias mínimas, quanto ao emprego, salário, jornadas e saúde, por exemplo, apenas porque a ausência de muitas das regras é aproveitada por empresários sedentos de lucros sem compromissos, que burlam e falseiam, pois ainda há regimes de trabalho semelhantes ao trabalho escravo, e muitas outras formas de fraudes trabalhistas e inclusive em grandes instituições.



Este cenário se torna mais ruim e próximo com as reformas previstas pelo governo Temer e seus apoiadores golpistas, não só quanto a preservação de políticos corruptos amparados num governo que segundo alguns parece adotar práticas criminosas, pois nomeiam ministros acusados de crimes e que são políticos acusados em investigações, em troca de imunidade, para apoiarem as reformas em curso.  O ministério do turismo foi o mais novo instrumento de barganha de Temer, e olhem que investigações como a Lava Jato e outras estão distantes da cúpula do governo, e são ineficazes ou lentas no mínimo, o caso Renan Calheiros (7 anos de espera) que citamos a seguir é uma prova disso.  
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), durante entrevista coletiva nesta terça-feira (4)
Senador Renan Calheiros Jane de Araújo/Agência Senado - 4.10.16  Fonte: Último Segundo - IG




Mas quanto a reforma é estranho ver coisas como estas relacionadas a proposta de reestruturação do ensino fundamental e médio, pelo MEC,  Professores que não são professores, mas pessoas de "notório saber", redução de frade curricular e retirada de direitos que mal foram concedidos a professores, isso é positivo? 



Peemedebista ocupa o penúltimo lugar entre 20 principais mandatários mais bem avaliados do continente
Michel Temer Foto: Valter Campanato / Agência Brasil



Para o governo Temer, a escola pública (mais afetada com as mudanças propostas pelo MEC) deve ser também alvo de desmonte, pois estão submetidas a decisões engessadas de burocratas de governos, muito mais que em escolas privadas de mesmo nível.  E além das limitações do nível crítico dos alunos e pais, por questões sócio-econômicas que já persiste na realidade escolar, a flexibilização dos currículos, quanto a questões referente a matérias e disciplinas, vai representar perdas enormes, a exemplo do que propõem com a retirada da obrigatoriedade de disciplinas como Educação Artística e Educação Física, que com todas as deficiências do ensino atual, ainda são muito importantes, pois influem ambas, individual e associadas, para uma boa formação do caráter dos alunos quando disponíveis, e para a melhorias na saúde mental e corporal, a psique e a ampliação do conhecimento, que não só em tese os habilita a melhorias culturais em sua totalidade, além de iniciar alunos em atividades artísticas e esportivas viáveis economicamente, dentre outras.


Mas imagine dispor, fazer pouco uso dessa informação e preparação num país onde há uma violência é enorme e vai cooptando cada vez mais jovens,  onde há ainda pouca sensibilidade social, cultural e ambiental, além de uma enorme massa de adolescentes com rotinas sedentárias, que causam doenças e deslocamentos do indivíduo em relação a sua vida comunitária. O que acontecerá aos alunos? Isso tudo associado a cortes em benefícios que só à pouco professores obtiveram, e que estão longe de atender suas reais necessidades e a valorização dos mesmos?  O Brasil limita seus horizontes ainda mais a pretexto de usar recursos excedentes para pagamentos de juros, e benefícios as elites do país!

Por fim os resultados recentes das eleições, apontam que a máquina do governo que apoiou e financiou, ainda que indiretamente os seus aliados e as elites como em São Paulo, vai fortalecendo essa forma de governar e pensar, trágica para o país e a maioria da população ainda excluída de muitos serviços e direitos.  Vemos que o resultado pró políticos que se esconderam ou apoiaram os golpistas foi significativo, mas num horizonte que tem sido pouco enfatizado onde cerca de 40% dos eleitores não deram votos a candidatos, uma massa enorme, que votou branco, anulou ou não foi votar, pois já não enxergam um processo limpo, justo e democrático ou valor no seu voto. O risco é que esse "desencantamento" se amplie e o país perca o rumo, levando a saídas ainda menos piores.



E já assistimos o desmonte ainda maior como reflexo das eleições, o governo Temer a toda carga com seus "acordos estranhos" para aprovação de medidas, por meios pouco republicanos, a blindagem que algumas instituições fazem ao governo e políticos acusados de crimes, candidatos recém eleitos como João Dória, com propondo medidas que tendem a piorar as questões sociais em SP, e que devem ser copiadas infelizmente, com a criminalização de dependentes químicos, sem buscar alternativas que sejam ruins aos cofres públicos e a sociedade, para questões referentes a internação compulsória, e que hoje se pautam pelo modelo de assistência implementado por Hadad e o desejo de internação forçada, ou recolhimento compulsório de indivíduos marginalizados aumentando a criminalidade, e o desequilíbrio social com uma política de higienização social forçada, jogando pessoas vivas em covas.  A solução para problemas como esses não é simples nem rápida, nem tanto para um modelo ou para outro, não criminalizando pessoas nem privilegiando pensamentos de grupos sociais e elites, mas através de muitos meios, inclusive de aperfeiçoamento das unidades médicas e sociais, e das instituições judiciais e penais, de forma integrada e conjunta, pensada e discutida em âmbitos locais, mas alguns políticos usam o problema para justificar suas estruturas que vão beneficiar apoiadores.


Os desmontes e retrocessos só beneficiam os defensores desses políticos e governos, e castas como as presentes no judiciário onde juiz corrupto e responsável por liberação de grandes traficantes, afastados por envolvimento em corrupção, não sob as penas da lei, mas por decisão de colegiado de pares com todas as regalias e direitos, "condenado" a aposentadoria compulsórias milionárias, um prêmio pelos seus desvios, ainda são comuns no Brasil, como há pouco no caso do Dr. Otávio. Ainda assim os pares desembargadores acham pretexto para criticar a sociedade, como no caso da repulsa e reação a mais um gesto de impunidade praticada pelo judiciário, como no cancelamento das condenações e anulação do julgamento dos policiais envolvidos  na chacina de 111 presos, Carandiru.




Souza Lima e Nalini
Blog do Frederico Vasconcelos

Até cremos que sim, mas de certo é que o judiciário de São Paulo tem em suas fileiras quem recebeu o dito dinheiro criminoso, e não é denúncia vazia.  "Nossas elites" no poder não respeitam o Brasil.

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Atualizado em 06.10.2016

STF mantém decisão e autoriza prisão após condenação na segunda instância- UOL 05.10.2016

Permitir prisão após 2ª instância torna réus dependentes da sorte - UOL 08.09.2016

Neste desmonte em curso o STF tem um destaque negativo como já citamos em outros momentos. Agora além de retrocessos recentemente promovidos pela côrte na Lei de Ficha Limpa, esta ratifica um ataque a Constituição pela qual deveria zelar, e prejudica acusados, investigados e réus quanto aos seus direitos fundamentais, e também todo a população acabando ou minimizando significativamente o que assegura a Constituição no artigo 5º, inciso LVII   (conforme lemos no artigo) que assegura a presunção de inocência à todos, cabendo prova em contrário a quem acusa, até que o processo seja transitado e julgado, assegurando-se os instrumentos e recursos possíveis e previstos.

Este ataque mostra o pouco valor que o Estado dá a carta magna, e que juízes e ministros do STF passam a fraudar direitos claros e não sujeitos a interpretação, anulando um esforço de décadas feito pelo povo, por parlamentares e constituintes, sem o menor pudor e a pretextos menores, segundo conjecturas próprias e pessoais.  Argumentos como os defendidos por alguns ministros que votaram a favor da alteração da interpretação dada, inibindo os direitos assegurados pela presunção de inocência, são pífios e inconsistentes em algumas circunstâncias, como os defendido pela Ministra Carmem Lucia que desempatou a votação.  Dizer que processos em que se respeitam as prescrições constitucionais quanto ao ônus da prova e a presunção de inocência, atrasam sentenças e geram na população uma expectativa negativa quanto a pouca eficiência do judiciário, chega a ser ridículo. Não é por esta razão (pelo previsto no Artigo 5º) que um desembargador envolvido em corrupção não vai preso, e é apenas aposentado, mas sim pelo corporativismo e pela impunidade.  E da mesma forma que um réu confesso teria o direito a recursos (conforme aceitação de tribunais) e até então poderia reverter ou não uma pena ainda não cumprida por não está julgada e transitada, muitos inocentes indevidamente acusados em processos falhos e manipulados não estariam submetido aos horrores de uma prisão injusta, em penas e locais que não recuperam os encarcerados, destruindo vidas inocentes.

A ineficácia do judiciário tem relação com o pouco caso de alguma autoridades, a burocracias, despreparos de juízes e funcionários e pouca preocupação com a população, com a falta de recursos humanos e materiais, com corrupção nas vendas de HC e sentenças por membros do judiciário, e a sensação de impunidade e a insatisfação popular tem mais relação com isso do que com os direitos expurgados pelo STF, claro que há uma parcela significativa de outras instâncias da justiça e do Estado, em especial com falta de seriedade com a coisa pública, coma as políticas de segurança e de condução das unidades prisionais, com políticas de assistência social e com a recuperação de presos. A decisão pode apenas aumentar distorções e incentivar a corrupção nos tribunais e no judiciário.

O preço de se colocar um inocente na cadeia até que numa última instância de recursos, que perdurará com a mesma lentidão pois os fatores que são responsáveis pela ineficácia da justiça não são resolvidos com a supressão do direito previsto na presunção de inocência, é impagável e pode ser traumático e decisivo em muitas vidas, e a retirada de tais direitos além de permitir mais ações abusivas das forças que representam o estado, ferem de morte a credibilidade na Justiça e a Constituição.  Num país onde os direitos fundamentais não são assegurados como respeitaremos as leis, as instituições e como vai funcionar a democracia?  Está é a pergunta a fazer, diante do STF!


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Eleições de 2016! A direita avança com ausência de votos, mais 40% de nulos e brancos no Brasil.

Sob pressão e hostilizado, Lula diz que não desiste NELSON ALMEIDA/AFP
Foto: NELSON ALMEIDA / AFP do portal Zero Hora.





O país está mergulhado em problemas sociais e políticos, a mídia faz um papel quase que majoritariamente parcial e de desconstrução de um projeto iniciado nas gestões petistas, cujo o objetivo maior era permitir ascensão social de excluídos e trabalhadores, pais e mães de famílias e um conjunto de pessoas representativos da sociedade brasileira.

A razão é simples, o preço para a redução das desigualdades sociais e avanços de pouco mais de uma década, era muito alto para as elites e conservadores, bem como segmentos econômicos e políticos do Brasil, habituados a serem privilegiados a revelia dos interesses legítimos da maior parcela do povo brasileiro. No projeto petista havia a tendência ao fortalecimento da produção nacional, por meio de um destaque para o capital produtivo do Brasil, contrariando o capital financeiro nacional e internacional e outros grupos do poder, e claro que isso em meio a uma sistema de financiamento de campanhas, eleitoral e político distorcidos, corrompido e aparelhado, ainda vigente mesmo hoje, faria do partido dos trabalhadores um inimigo quase invencível dado o apoio popular, e uma vez que parcelas significativas do PT entrou fortemente em estratégias e esquemas de perpetuação, comuns aos seus adversários do PSDB, DEM, PPS, Solidariedade e aliados até então como PTB, PDT, PP, PR, PMDB e PSB, apenas para citar alguns.


O que significa dizer que mesmo não sendo criador dos esquemas de financiamento e uso de "doações empresariais", nem mesmo sendo o principal expoente, o PT de fato se afastou de sua ideologia e práticas iniciais, sobre muitos aspectos, e para ser derrotado por elites e conservadores, teria que ser alvo de tribunais de excessões, esquemas empresariais e políticos, conspirações segmentadas, e campanhas midiáticas de grandes meios de comunicação, parciais e distorcidas ou mentirosas sobre diversos aspectos, para como alvo de um golpe inclusive perpetrado por instituições públicas também aderentes, ou coparticipantes, e por meio de adulterações legais ser derrotado e totalmente, com o convencimento de parcela significativa da sociedade sobre o mito, "de que todo erro e mal, provém do PT" e este "seria o responsável pela crise econômica e política", gestada em parte e amplificadas pelos patronos de um golpe contra a democracia brasileira,


Em meio a um ambiente como este, com uma verdadeira caça-as-bruxas em curso, um golpe e a forte interferência econômica e de comunicação, jurídica e legal, manipulada e aparelhada é que ocorrem as eleições de 2016, ainda em curso, e cujo o objetivo maior para as elites era varrer do mapa o PT e parar  de vez o projeto do partido para 2018.  Até o momento em meio a shows dignos de um circo, as elites e governos, os políticos e grupos no poder e de influência, tiveram um êxito significativo, com a destruição do governo Dilma e a quebra das bases de apoio político do PT, com afastamento do eleitorado em parcelas significativas não só do PT mas dos aliados defensores de projetos progressistas para a sociedade brasileira. Por enquanto o saldo dos golpistas é favorável ao projeto de quebra da democracia e aos seus interesses, especialmente nas grandes capitais e em São Paulo.



Nisso há ganhos significativos para o PSDB e mais próximos ao seu projeto liberal, inclusive os recén aliados do PSB,  mas nem tanto aos fisiogistas profissionais do PMDB e seus nânicos (em parte, que permaneceu com números pouco acima de 2012), que estão alinhados e agrupados ao governo de Temer, a um preço ainda nem totalmente conhecido.


Mas ainda sem as dimensões reais dos resultados, algumas conclusões sobre a derrota do PT (um risco que já indicávamos aqui em 2012 para o PT, em função de algumas debandadas e projetos de seus aliados de então), que no momento é amplamente destacada pelas mídias de comunicação em geral, centrando-se na eleição de 2016 como uma enorme derrota do PT, e claro de fato significativa, apesar de supervalorizada pelos mesmos.  É preciso no entanto ler as entrelinhas e apurar melhor a tal derrota, ela de fato existe de forma impactante ao PT e as forças de esquerda, mas acima de tudo a um projeto legítimo de transformação do país e das condições de vida e relações sociais do povo brasileiro. Ainda assim esta ainda não representa a aniquilação plena do PT como se pretendia e mesmo do projeto de regresso ao poder em 2018, apesar da supervalorização das forças conservadoras e da mídia, o PT e as forças de esquerda ainda estão no jogo a ser jogado em 2018, mas precisaram de unidade e concentração de forças enorme, e de uma revisão concreta em suas práticas e ações, revestindo-se de nova roupagem (ainda que preservada as ideologias originais) até o pleito em 2018, e claro de muita capacidade de superação e luta, com atenção a eventos vindouros cruciais, e vinculados ao processo político e "de pseudo caça legal" atual e em curso acelerado, onde são usadas as instituições brasileiras de forma anti-democrática e associada a interesses menores, de segmentos sociais, econômicos e políticos por trás da ação golpista.  O PT e a esquerda devem estar atentos a todos movimentos, e fazer acordar os segmentos sociais prejudicados no bojo das mudanças que são impostas por meios ilegítimos, é crucial e possível, ainda oferecer luta e resistência decisiva.


Apesar da derrota o PT, preserva uma força política considerável e importante, e há na vitória dos seus opositores uma questão central e importante, a enorme pulverização ainda assegura uma necessidade de qualquer que seja a força de enfrentamento ao projeto petista e ainda mais da esquerda unida, de realizar conchavos e acordos em bases muitas das quais insustentáveis e passíveis de minar, especialmente se na sua reformulação a esquerda conseguir dialogar melhor com jovens, educadores, trabalhadores e aposentados, o que vai ser decisivo à virada do jogo atual, e a derrotada do projeto golpista resgatando instituições comprometidas com desvios democráticos, para um eixo de maior equilíbrio e normalidade.  A pressão nas ruas será determinante, e a organização ainda que de minorias e poucos segmentos é parte disso, pois a aliança dos golpistas pode ser fragilizada o suficiente para comprometer a continuidade dos atos, resta sabe se a esquerda terá maturidade para isso e claro estrutura mínima para fazê-lo, focando e revisando práticas e ideologias da forma e no tempo necessário, sob risco de perder o time e o apoio já debilitado, vistos nos resultados.

A vitória em SP pelo PSDB, pode ser interpretada de uma outra forma que a imprensa não destaca, é o resultado de uma maior unidade dos conservadores e das elites, num processo eleitoral onde metade dos eleitores se recusou a dar um voto, o que garantiu que um pouco mais de um quarto (25%) do total de eleitores, ou 53% da outra metade que foi as urnas e deu um voto válido, elegê-se Dória representante de Alkimim e dos golpistas.  O que acontecerá ao eleitorado nacional até 2018?




BH: abstenções, brancos e nulos superam votos dos dois candidatos à prefeitura - Isto é 02.10

Em Recife o PT vai ao segundo turno, mas ainda está recuperando-se dos resultados dos  processos internos desde 2011 com a ruptura de então, mesmo unido e agora exposto negativamente na mídia, com algumas de suas representações locais afetadas indevidamente pelos processos nacionais, a esperança de eleição de João Paulo existe, mas as forças aglutinadas contra o PT são muito grandes, ainda que estas não permaneçam unidas a médio prazo, mas serão decisivas em Pernambuco, a tarefa é árdua.  O PT encolheu pela metade no país, e manteve por enquanto Rio Branco no Acre das 256 cidades que obteve êxito em 2016, quando  em 2012 foram mais que 620, 

Os fatos que impactam no resultado atual, ainda não são suficientes consistentes para uma derrota de fato decisiva das forças de esquerda e do PT.  Há uma potencial e possível inércia a ser canalizada, que ainda não se manifestou, inclusive vistas em índices de abstenções e votos nulos na ordem de mais de 40% de todos os votos a ser considerados, e a vitória dos golpistas agora pode ser revertida. O número de eleitores que se recusaram a votar, está sendo pouco considerado na vitória das elites, em parte propositalmente, mas não é certeza de repetição de tais condições em 2018, o recado aos políticos também se dirige as instituições, a descrença generalizada na democracia, nas instituições ou nos políticos, ou numa recusa a apoiar o processo agora em curso no Brasil, e quem em 2018 pode mudar severamente a despeito dos "vitoriosos de agora".

Devemos considerar que parte do PT, migrou para partidos de esquerda aliados ainda em um projeto de país, mesmo fora do PT, parte destes se elegeram e não indicam mudar posições quanto a 2018, só por estarem fora do partido, pois permanecem nas bases atuais  de aliados.

Também não se refletiu nas urnas mais uma vez prognósticos de pesquisas em muitas capitais.  Mais uma prova de que esse instrumento não é tão confiável, e é usado para influenciar muito mais que de fato apurar e projetar resultados, é uma das facetas das distorções eleitorais vigentes, além é claro da manutenção dos esquemas de boca de urna e compra de votos, não evitados nem expurgados. 

Fora estes aspectos, é preciso reforçar que já se esperava redução dos números de representatividade do PT, isso já era previsível dados os ataques ao partido, e mensuráveis mesmo na proposição de candidaturas sem estrutura ou número menores de candidatos pelo partido.  Fruto também de inúmeras deserções ocorridas em face também das práticas internas das lideranças e corrente hegemônica do PT, algo debatido em outros publicações nossas e já histórico internamente ao PT.

É preciso salientar o erro que apontávamos antes mesmo de 2012, quanto as alianças como as do PSB e do PMDB, e que seriam um risco como nós discutimos em outros momentos e publicações inclusive aqui, ainda que a época considerassemos o papel do então governador Eduardo Campos em Pernambuco, que mesmo após a sua morte, assegurou estruturas igualmente ruins e internas ao PSB, que permitiram a legenda com novas alianças com o PSDB e o PMDB ganhar alguma força e resistência até o momento, mas que tende a se fixar a restringir a âmbitos regionais e em dadas regiões, não mantendo o protagonismo nacional crescendo com a mesma força.  É preciso no entanto ressalva as manobras que ainda veremos em favor de manutenção de uma candidatura nacional, atrelada a Marina Silva para 2018, que dará uma sobrevida a esse partido nas referidas eleições.  Mas a tendência é este se conformar a uma nova corrente (já constituída) para fortalecer outros, o PSDB.

Especificamente no caso do PMDB, haverá no entanto uma parcela significativa que tentará dá uma projeção maior ao partido com uma possível candidatura própria, um erro de interpretação dos acontecimentos que culminaram com Temer no poder, alguém que já alertamos em 2012 como um aliado indesejável e fisiologista para o PT, que se fortaleceria ao longo desses anos, O PMDB é uma espécie de frente, e há sobreviventes, como partido e força ideológica não resiste a si mesmo e vai se confrontar internamente, pois os que desejaram se manter o levaram a outra vez após deslizes ser uma força auxiliar de outro e ainda sujeitos a rachas mesmo assim. 2018 não é para o PMDB manchado e visto nacionalmente como um grupo de traidores e corruptos, por parcela significativa, e isso o afeta.

No caso do PSDB, os grupos se rivalizam e disputam internamente, Aécio, Serra, Alkimim, estarão ainda assim envolvidos neste processo e em busca de vaidosos apoios como os de FHC.  Mas eles são representantes de uma direita conservadora ao final, e vão se unir ainda que da forma possível entorno de seus candidato e por força e pressão de atores internos e externos ao partido, aos segmentos e mesmo ao país, sob pena de terem uma ameaça em seus apoios estruturais, que debandariam para apoiar Marina (que ainda não os convence o suficiente para receber ajuda). Apesar dos pesares é muito pouco provável que Serra tenha espaço, e mesmo Aécio pode ser suplantado por Alkimim, que se torna uma força interna cada vez mais forte no PSDB, mas eles vão se enfrentar e isso pode extrapolar ao que já vimos até agora internamente ao partido.


Para Lula e o PT mais que 2016, também para as esquerdas, será o desenrolar de 2017 e o quanto estão dispostos a sacrificar e até onde manter a unidade, que será de fato decisivo, inclusive por representar uma oposição real e considerável aos instrumentos e ferramentas dos golpistas, seja quanto ao poder de estado, seja quanto aos desmontes sociais, legais, trabalhistas, previdenciários, nas estruturas e papel das instituições e políticas públicas, seja quanto aos abusos jurídicos que ferem a democracia e a ameaçam o país, fazendo-o retornar a um papel secundário no âmbito internacional.

A revisão do PT e sua capacidade de se reinventar será determinante, assim como a postura dos seus líderes quanto aos processos até hoje adotados internamente e que diz o que é o PT externamente, se for feita da forma correta e no momento certo o partido ainda pode reverter a queda e ainda sonhar com 2018.  Contudo não pode cometer os mesmos erros, inclusive no enfrentamento as adversidades, inclusive quanto a defesa de Lula e do partido, contra o golpe em curso!